Tuesday, 11 September 2007

why do we fight?

Incrível como, para além da insistente jukebox que parece estar sempre dentro de mim, sinto como se tivesse colunas de estúdio no subconsciente. Ouço perfeitamente a música que me vem neste momento, como se Ela estivesse aqui mesmo ao lado a olhar para mim. "Always...": que grande sonoro. Estupidamente deixo-me levar pelo momento e dou por mim a cantar - rapidamente a gaja aqui do lado desaparece e fico eu.
Não consigo numerar as vezes por dia em que me vêm músicas à cabeça só por ouvir uma palavra ou uma frase, nos momentos mais inoportunos. Segue-se aquela luta constante para afastar a melodia e prestar atenção ao que dizem.

Saturday, 1 September 2007

26% de mim

Apetece-me falar mas não me apetece dizer nada, absolutamente. Há alturas em que não se deve dizer nada. É melhor e nunca será forçado. Existe aquele amigo em que a confiança é tal que somos capazes de ligar sem pensar antes no que se vai dizer, sujeitarmo-nos à introspecção silenciosa de minutos, e correr tudo bem. Para quê falar quando não há nada a dizer? Temos que ter sempre assunto? Temos que ter tempo para os assuntos se formarem. Ou então, a preocupação de viver no limite da novidade e de superar expectativas é tanta, que acabamos por passar para a vida dupla de quem conta.
a) viver intensamente porque a vida é curta, exceder o momento
b) viver com calma e conscientemente, prever
Sinceramente, prefiro b. Não afasto o a, é demasiado tentador. Mas persegue-me a necessidade de dar O valor às coisas, aos momentos, transformá-los em raciocínio válido e não obra de outrem. Se tiver sorte por mero acaso, sinto-me bem, obviamente, mas se trabalhar muito para atingir o sucesso, sinto-me ainda melhor. (Acredito, quase ironicamente, na recompensa divina. Verifica-se.)
Se todos os dias forem cheios de inesperado e de novidade, sem escolha por não ser oportunista, não tenho tempo para digerir esse assunto e acabo por atingir o limite da camada casca de ovo, reservada às coisas fúteis, que nos cobre a todos. Se, por outro lado, for cultivando ideias e concretizando-as, parece que passa para o interior, que me coze um bocadinho e tranquiliza. Se calhar vem do medo de me perder, da independência que construo e do terror de olhar para dentro e não me encontrar.
É tarde e estive como quis, só agora reparei nisso.