Monday, 28 December 2009

(bocejo)

Parece perto e, no entanto, tão longe. O que fizeram das distâncias? Para que noção desproporcional nos formatizaram nas últimas décadas e porquê aquilo de o tempo se pesar com uma balança de bens supérfulos que não enche barrigas? Porque me critica a vontade de perder tempo, se ele não me dá outra hipótese?
Objectivos 2010: dormir menos; regime de desmame. É um prazer que tem 5 minutos de fade out, terminando com um BOOOM pesado na consciência. Porquêêê?!? Outra vez?? E já passou, não há volta a dar, a não ser que se ponha na conta do próximo mês, dívidas a acumular sem vergonha, Bancos Privados do Sono S.A., com juros indefinidos. E pagam-se, às prestações - de tinta para o cabelo.

Tuesday, 3 November 2009

the letting go

Deixa-me andar e deixa-me pensar. Deixa-me.
Sair deste mundo sem viajar, sair para voltar
Aprender a ouvir, concentrar
Preciso de ti, preciso de ar.

Tuesday, 29 September 2009

Hoje vim a cantar no carro

E o tema era... "125". 125 carros a chiar, 120 e cinco golfinhos no mar, e por aí
Faltava-me um carro e faltava-me, já, a voz.

Chegou a altura de pôr em causa
Sim, tem de fazer sentido ou ser mais forte que o sentido.

Monday, 14 September 2009

k-os

O problema (major) são as conclusões. Essa busca incessante por um ponto final e decisões, objectivos com vista a novos objectivos e por aí adiante. Possíveis temas de aprofundamento para a eterna insatisfação, o medo de não encontrar o que fazer, os pensamentos últimos.
Ideias construídas requerem decisões a curto prazo - trabalhos de casa, NÃO exames. A consciencialização dos limites humanos e pessoais, a balança entre o que é aceitável e o que eu aceito. E eu, à partida, aceito quase tudo. Apenas a construção desse quase (porque, uma vez programada para construir, construo), provoca uma avalanche de variantes que transformam as minha possíveis vidas, a minha própria organização por setas, no caos.

Friday, 11 September 2009

Como matar saudades.

As saudades matam-se ou esfolam-se?
Será melhor cortar o mal pela raíz ou adoptar uma longa e penosa tortura?
Matá-las como quem lança uma seta contra uma nuvem - ao estilo cupido - ou, então, envenená-las com uma caixa azul de ben-u-rons. Tirar peça por peça, todos os pedaços de saudade existentes nesse corpo de formas mutáveis, até compreender que mesmo a forma de átomo dá comichão.
Mantê-las vivas? Nunca! Nunca? Alimentar também não. Manter uma rédea? Feita de quê, exagerada auto-estima? Isso é possível? Passaríamos, certamente, a sentir saudades de nós próprios, péssima reputação no Mundo.
Então, como?

Por agora, apetece-me andar de mãos dadas.

Wednesday, 1 July 2009

turu

E quase brutalmente, antes de partir, dou de caras com quem já pensava ter esquecido. Porque me fazes falta agora que o decidido está, até, já enterrado? Terei um défice carencial assim tão grande que me faça girar unicamente em torno de atenção, consoante o sinal apita mais alto? É incrivelmente estúpido ser-se assim, além da inconstância radical de sentimentos que diariamente experimento, mas que tento aligeirar para não me assustar ao fim do dia. Aligeirar porque, imaginemos que os levo a sério - as consequências. Para quando uma certeza inabalável de, pelo menos, um mês? O pior é que, se fosse possível reunir as qualidades de diversas pessoas numa que se aproximasse do Perfeito, não saberia o que escolher. Agradam-me demasiado os defeitos.
Hoje, se continuo, inscrevo-me num hospício online.

Tuesday, 30 June 2009

respira

Non so perchè oggi mi sento così piena di cose che non so spiegare cosa sono. Forse stamatina mi sono svegliata con i piedi sul cuscino o, invece, è più una di queste cose ormonale che sembrano granate senza tempo di attivazione prenotato. Mai dormire troppo in un giorno di sole, mai. I gradi diventano un mal di testa incredible.

Monday, 22 June 2009

a más horas

Ficou um punho que me aperta o coração até adormecer, com o desconhecimento de como será quando acordar. Como será? Para já - fiquei sozinha - sinto falta do corpo, dos passos e dos sons a que tão rapidamente me habituei, mesmo aqueles irritantes que normalmente só os outros ouvem. Gosto de te ter comigo, fazes rapidamente parte de mim e deixas-me sozinha, o que é irreparável.
Engraçado como, no dia a dia, tanta gente por nós passa, tantos bom-dias, tantas despedidas de 5 minutos, até já's, volte sempre's, até nunca. E imaginar a capacidade simples que algumas pessoas têm de nos deixar de mãos a abanar com um simples "ciao". Mesmo quando é de conhecimento geral que existirá um retorno, fica a agonia desses 28 dias que restam. Esse período transforma-se numa vida, em que o 28 é o dia da morte do período e, portanto, o dia de maior sofrimento.

Saturday, 30 May 2009

e se vieres aqui antes?

Este é para ti. Espero que estejas a dormir porque te quero bem demais.

A tinta da caneta faz pensar duas vezes. Penso que o teclado do computador faz pensar -2 e, logo a seguir, +2, o que, em termos teóricos dará duas vezes, correcto, mas em termos práticos dá uns bons 4. Porque sabemos que facilmente se apaga (beautiful delete) e que facilmente se repensa corrige, até porque, muitas vezes, dizemos o que não queremos, talvez pela formatização que este mundo e algumas cidade em especial nos tentam impor. Assim, com rewinds e fast fowards, sai muito naturalmente algo parecido com aquilo que sentimos.

Também este parágrafo espaçado faz respirar, o que é bom. Faz muito calor aqui.

Adoro que, especialmente tu, tenhas ainda a capacidade de não fazer sentido. Sim, tu das costas direitas. Conheço-te. Fazer sentido torna-nos apresentáveis, mas nem sempre correctos e mais, nem sempre felizes. Sentido qb, nas coisas burocráticas, na base de tudo aquilo que resumimos antes de fechar os olhos para dormir - sim. Sentido nas pequenas coisas, na aceitação da realidade, no espanto, no amor, numa risada (e são tantaaas sem sentido)... - definitivamente não. Até porque arranjar sentido para tudo na vida é um trabalho que nem sequer é remunerado e que, garantidamente, terá as mais variadas queixas. É uma coisa muito própria.

Penso que é inevitável vivermos um bocado a vida dos outros. Caímos de pára-quedas num mundo já feito. Antes de nós, muitos e muitos nós já por aqui passaram e, mesmo aqueles que não aparecem nas enciclopédias, deixaram o seu cunho. Portanto, nada mais lógico do que sentir, quando se pensa mais profundamente, um certo deslocamento em relação àquilo que nos impulsiona na vida. O importante será ter a certeza de que, pelo menos os nossos passos, são dados com as nossas pernas, e não às cavalitas de outrem. Posso não saber porque me levanto todas as manhãs, mas ao menos sei porque saio de casa.

E eu não sou assim uma ilha, como tu dizes. Quando acordo sem saber o que fazer, sinto pavor.

Mas abraço-te.

Saturday, 18 April 2009

nobody knows

É sempre tarde de mais para acordar. Adoraria ter a capacidade matutina de lembrar que há um mundo acelerado lá fora, quando cá dentro o calor dos lençóis enfeitiça como mil sereias.

Friday, 10 April 2009

realmente?

“Não há nada como realmente” – ouvi tantas vezes esta expressão da boca da minha mãe, que nunca me dei ao trabalho de tirar o significado. O tom irónico tem um efeito almofada em mim que me faz guardar tudo num compartimento com tempo de auto-destruição programado. Mas não há, não existe nada como o que realmente se passa, as fantasias não passam de escapes saudáveis, não para o mundo onde gostaríamos de viver, muito pelo contrário, para um mundo onde seria impossível respirar e morreríamos de tédio por falta de contestação ou meio de comparação. São pequenas aspirinas para a alma, remédios mágicos de efeitos variados, para as mais variadas dores de cabeça.
E o realmente pode ser fantástico. Nós e as nossas personalidadezinhas extravagantes temos o poder imenso de empurrar e insistir no que mais parece não ter solução, isto num dia bom. É possível pegar num péssimo acontecimento e tirar uma lição, um apoio, uma fatalidade inevitável, um novo modo de ver a vida, uma forma de crescer, uma forma de ajudar, de nos sentirmos úteis, de dar um rumo. Esta é a capacidade das pessoas que nunca chegaram ao 100% de sanidade mental, das que não se sentam um dia inteiro para pensar, das que sabem que isso trará o dia mau e o outro mundo (cujo o nome não pode ser pronunciado) com toda a sua intenção penetrante e destruidora contra o realmente.