we're just too busy

Saturday, 23 July 2011

"veio até mim...

...quem deixou me olhar assim?
Não pude evitar, tirou o meu ar, fiquei sem chão."

Necessidade de definir, de afirmar alto e com boa pronúncia, dicção, etc, que achamos X. Eu-acho-X. Não y, X.
E depois? Que fazer quando esse X dá mais trabalho do que a incerteza? Viver com ele? Fingir que não encontramos a resposta? Ideal seria que esse X, uma vez reconhecido, pudesse finalmente ser eliminado, pelo menos trabalhado. Mas não. Agora, para além de ter mais uma informação na prateleira, tenho de pensar no que fazer com ela.
Afinal não vai ser como imaginei sem imaginar.

Sunday, 14 November 2010

eu disse metade

Metade dos nossos problemas desaparecem se relativizarmos.

Friday, 12 November 2010

já faltou mais

Então é isto. Chegou a hora.
Sim, avisaram-me - privações. Mas apenas quando aliadas a uma subida na escada, privar para compensar, quase bíblico. O "serei capaz?", "valerá a pena?" é instantaneamente ocupado pela imposição. Tem de ser. Portanto o tempo que haveria para pensar, reflectir, desdenhar, é rapidamente condensado na realidade que passou. E o "sim" social prevaleceu, aquele sim que tinha de ser.
E, realmente, muitas vezes é melhor que assim o seja. Não haverá sempre um fundo de coragem à espera de desafios, aliás, quase nunca. Quando ela vem, vem com força, sem dúvida (aí, é aproveitar). Quando se esquece... Simplesmente não vem, vem o medo ao invés. Daí que imposições, obrigações, convenções, não sejam sinónimos a antagonizar como o diabo da cruz. É importante saber que Outros o inventaram, Outros o concretizaram e Outros falharam. Falharam. Não é proibido.
Proibido é fazer por fazer. Todo este discurso não tem implícita a obrigação pura. Tem, sim, a vontade e, explicitamente, uma direcção que se clarifica com momentos como este. Cada vez mais, nem tudo nem nada, voto nos cinzentos. Tenho certezas. Tive certezas.
Importante é estar aqui, chegar aqui, desconhecer o que virá, se valeu a pena, se consegui, se compensou. Apesar do cansaço, tenho força, soluções.
Mãe: "Luta por aquilo que podes lutar. O que não depender de ti, entrega."
Afinal é fácil.

Monday, 28 December 2009

(bocejo)

Parece perto e, no entanto, tão longe. O que fizeram das distâncias? Para que noção desproporcional nos formatizaram nas últimas décadas e porquê aquilo de o tempo se pesar com uma balança de bens supérfulos que não enche barrigas? Porque me critica a vontade de perder tempo, se ele não me dá outra hipótese?
Objectivos 2010: dormir menos; regime de desmame. É um prazer que tem 5 minutos de fade out, terminando com um BOOOM pesado na consciência. Porquêêê?!? Outra vez?? E já passou, não há volta a dar, a não ser que se ponha na conta do próximo mês, dívidas a acumular sem vergonha, Bancos Privados do Sono S.A., com juros indefinidos. E pagam-se, às prestações - de tinta para o cabelo.

Tuesday, 3 November 2009

the letting go

Deixa-me andar e deixa-me pensar. Deixa-me.
Sair deste mundo sem viajar, sair para voltar
Aprender a ouvir, concentrar
Preciso de ti, preciso de ar.

Tuesday, 29 September 2009

Hoje vim a cantar no carro

E o tema era... "125". 125 carros a chiar, 120 e cinco golfinhos no mar, e por aí
Faltava-me um carro e faltava-me, já, a voz.

Chegou a altura de pôr em causa
Sim, tem de fazer sentido ou ser mais forte que o sentido.

Monday, 14 September 2009

k-os

O problema (major) são as conclusões. Essa busca incessante por um ponto final e decisões, objectivos com vista a novos objectivos e por aí adiante. Possíveis temas de aprofundamento para a eterna insatisfação, o medo de não encontrar o que fazer, os pensamentos últimos.
Ideias construídas requerem decisões a curto prazo - trabalhos de casa, NÃO exames. A consciencialização dos limites humanos e pessoais, a balança entre o que é aceitável e o que eu aceito. E eu, à partida, aceito quase tudo. Apenas a construção desse quase (porque, uma vez programada para construir, construo), provoca uma avalanche de variantes que transformam as minha possíveis vidas, a minha própria organização por setas, no caos.

Friday, 11 September 2009

Como matar saudades.

As saudades matam-se ou esfolam-se?
Será melhor cortar o mal pela raíz ou adoptar uma longa e penosa tortura?
Matá-las como quem lança uma seta contra uma nuvem - ao estilo cupido - ou, então, envenená-las com uma caixa azul de ben-u-rons. Tirar peça por peça, todos os pedaços de saudade existentes nesse corpo de formas mutáveis, até compreender que mesmo a forma de átomo dá comichão.
Mantê-las vivas? Nunca! Nunca? Alimentar também não. Manter uma rédea? Feita de quê, exagerada auto-estima? Isso é possível? Passaríamos, certamente, a sentir saudades de nós próprios, péssima reputação no Mundo.
Então, como?

Por agora, apetece-me andar de mãos dadas.

Wednesday, 1 July 2009

turu

E quase brutalmente, antes de partir, dou de caras com quem já pensava ter esquecido. Porque me fazes falta agora que o decidido está, até, já enterrado? Terei um défice carencial assim tão grande que me faça girar unicamente em torno de atenção, consoante o sinal apita mais alto? É incrivelmente estúpido ser-se assim, além da inconstância radical de sentimentos que diariamente experimento, mas que tento aligeirar para não me assustar ao fim do dia. Aligeirar porque, imaginemos que os levo a sério - as consequências. Para quando uma certeza inabalável de, pelo menos, um mês? O pior é que, se fosse possível reunir as qualidades de diversas pessoas numa que se aproximasse do Perfeito, não saberia o que escolher. Agradam-me demasiado os defeitos.
Hoje, se continuo, inscrevo-me num hospício online.

Tuesday, 30 June 2009

respira

Non so perchè oggi mi sento così piena di cose che non so spiegare cosa sono. Forse stamatina mi sono svegliata con i piedi sul cuscino o, invece, è più una di queste cose ormonale che sembrano granate senza tempo di attivazione prenotato. Mai dormire troppo in un giorno di sole, mai. I gradi diventano un mal di testa incredible.

Monday, 22 June 2009

a más horas

Ficou um punho que me aperta o coração até adormecer, com o desconhecimento de como será quando acordar. Como será? Para já - fiquei sozinha - sinto falta do corpo, dos passos e dos sons a que tão rapidamente me habituei, mesmo aqueles irritantes que normalmente só os outros ouvem. Gosto de te ter comigo, fazes rapidamente parte de mim e deixas-me sozinha, o que é irreparável.
Engraçado como, no dia a dia, tanta gente por nós passa, tantos bom-dias, tantas despedidas de 5 minutos, até já's, volte sempre's, até nunca. E imaginar a capacidade simples que algumas pessoas têm de nos deixar de mãos a abanar com um simples "ciao". Mesmo quando é de conhecimento geral que existirá um retorno, fica a agonia desses 28 dias que restam. Esse período transforma-se numa vida, em que o 28 é o dia da morte do período e, portanto, o dia de maior sofrimento.

Saturday, 30 May 2009

e se vieres aqui antes?

Este é para ti. Espero que estejas a dormir porque te quero bem demais.

A tinta da caneta faz pensar duas vezes. Penso que o teclado do computador faz pensar -2 e, logo a seguir, +2, o que, em termos teóricos dará duas vezes, correcto, mas em termos práticos dá uns bons 4. Porque sabemos que facilmente se apaga (beautiful delete) e que facilmente se repensa corrige, até porque, muitas vezes, dizemos o que não queremos, talvez pela formatização que este mundo e algumas cidade em especial nos tentam impor. Assim, com rewinds e fast fowards, sai muito naturalmente algo parecido com aquilo que sentimos.

Também este parágrafo espaçado faz respirar, o que é bom. Faz muito calor aqui.

Adoro que, especialmente tu, tenhas ainda a capacidade de não fazer sentido. Sim, tu das costas direitas. Conheço-te. Fazer sentido torna-nos apresentáveis, mas nem sempre correctos e mais, nem sempre felizes. Sentido qb, nas coisas burocráticas, na base de tudo aquilo que resumimos antes de fechar os olhos para dormir - sim. Sentido nas pequenas coisas, na aceitação da realidade, no espanto, no amor, numa risada (e são tantaaas sem sentido)... - definitivamente não. Até porque arranjar sentido para tudo na vida é um trabalho que nem sequer é remunerado e que, garantidamente, terá as mais variadas queixas. É uma coisa muito própria.

Penso que é inevitável vivermos um bocado a vida dos outros. Caímos de pára-quedas num mundo já feito. Antes de nós, muitos e muitos nós já por aqui passaram e, mesmo aqueles que não aparecem nas enciclopédias, deixaram o seu cunho. Portanto, nada mais lógico do que sentir, quando se pensa mais profundamente, um certo deslocamento em relação àquilo que nos impulsiona na vida. O importante será ter a certeza de que, pelo menos os nossos passos, são dados com as nossas pernas, e não às cavalitas de outrem. Posso não saber porque me levanto todas as manhãs, mas ao menos sei porque saio de casa.

E eu não sou assim uma ilha, como tu dizes. Quando acordo sem saber o que fazer, sinto pavor.

Mas abraço-te.

Saturday, 18 April 2009

nobody knows

É sempre tarde de mais para acordar. Adoraria ter a capacidade matutina de lembrar que há um mundo acelerado lá fora, quando cá dentro o calor dos lençóis enfeitiça como mil sereias.

Friday, 10 April 2009

realmente?

“Não há nada como realmente” – ouvi tantas vezes esta expressão da boca da minha mãe, que nunca me dei ao trabalho de tirar o significado. O tom irónico tem um efeito almofada em mim que me faz guardar tudo num compartimento com tempo de auto-destruição programado. Mas não há, não existe nada como o que realmente se passa, as fantasias não passam de escapes saudáveis, não para o mundo onde gostaríamos de viver, muito pelo contrário, para um mundo onde seria impossível respirar e morreríamos de tédio por falta de contestação ou meio de comparação. São pequenas aspirinas para a alma, remédios mágicos de efeitos variados, para as mais variadas dores de cabeça.
E o realmente pode ser fantástico. Nós e as nossas personalidadezinhas extravagantes temos o poder imenso de empurrar e insistir no que mais parece não ter solução, isto num dia bom. É possível pegar num péssimo acontecimento e tirar uma lição, um apoio, uma fatalidade inevitável, um novo modo de ver a vida, uma forma de crescer, uma forma de ajudar, de nos sentirmos úteis, de dar um rumo. Esta é a capacidade das pessoas que nunca chegaram ao 100% de sanidade mental, das que não se sentam um dia inteiro para pensar, das que sabem que isso trará o dia mau e o outro mundo (cujo o nome não pode ser pronunciado) com toda a sua intenção penetrante e destruidora contra o realmente.

Tuesday, 9 December 2008

é muito muito raro

Nem sempre temos o que queremos e raramente encontramos o que procuramos vezes sem conta.
Assimilar determinadas ideias é quase como um emprego - às vezes tem de ser. Sem dependências de estado de espírito e até mais, sem receber. A recompensa final de certas decisões nem sempre nos compensa, pela impossibilidade de comparação com "o que poderia ter sido" e não foi, porque assim decidimos, porque assim teve de ser. Talvez porque, no fundo, não era o que desejávamos. Pergunto-me se o tempo que perdemos a desejar não será uma perda de tempo. Aspirar pode ser muito perigoso, poderá ter a capacidade de nos impedir de voltar atrás ideologicamente, presos numa realidade que não acompanha o nosso corpo e as vivências em que fomos encaixados, restando apenas uma mudança drástica de código postal.

Monday, 20 October 2008

os carros não chiam

Existem circunstâncias na vida que nos fazem deixar o corpo e ser qualquer outra coisa que, pela capacidade de instante, são o defeito ideal do momento. Já me aconteceu. Já aconteceu ir contra mim própria, lutar durante um dia contra idealismos com que cresci e me formei, deixar-me levar pela maré para conseguir enfrentá-la num ponto mais fácil. Fácil, onde me esqueci de tudo o que me tirou as forças. Era tão difícil deixar de ser eu que se tornou bem mais fácil esquecer-me. E quando nos esquecemos não há volta que volte. Por mais simulação de lufada de ar fresco que seja, a longo prazo apercebemo-nos que deixamos de ser nós próprios, que foi algo que teve que acontecer com grande intensidade para mudar algo que tinha de ser mudado. Caso contrário, ainda estaria a sofrer pelo incompreensível de anos atrás. Caso contrário, nunca teria conseguido mudar e ver o mundo deste modo mais real. Caso contrário, ainda acreditaria genuinamente (e não só por conveniência pessoal e secreta) que os sonhos se podem tornar realidade e que vai haver um dia em que vou acordar e adormecer feliz.

A ideia de que o passado traz saudade, de que o que era dantes - nós próprios há uns anos, a sociedade de antigamente, os instrumentos mais básicos - era bem melhor, de que já foi e já aconteceu de outro modo mais agradável: não faz grande sentido. Obviamente que existiram e existirão sempre situações mais positivas ou mais negativas, sem dúvida. Errar, acertar, voltar a errar, corrigir, inventar, falhar, esquecer. Faz parte.
Em termos humanos, em relação ao tal saudosismo que separo de todo o resto objectivo, esse está sempre aliado ao esquecimento selectivo do mau ou do bom, que nos faz ter uma ideia muito certa do que se passou, consoante a sensação que predominou na altura. E, ironicamente, quanto mais pensamos, mais nos enterramos nessa mesma ideia e nos confortamos na certeza de que estamos certos. Chama-se a isso limpar o pó.
Em termos de evolução, penso que exiriam muito menos acidentes se os carros não andassem tão depressa e chiassem quando travam. Não só pelo efeito buzina, mas também porque é o carro que nos chama à atenção e, caramba, ser repreendido pelo próprio carro nunca foi muito admirável. Não conheço nenhum GPS que berre com o condutor porque este contornou a rotunda em sentido contrário.
Mas isto sou eu, aqui.

Monday, 15 September 2008

infortúnio raios e dilúvios. venham por favor

Que dia triste. Uma estrada de cinza vazia de tudo e de todos. Sinto que não tenho conteúdo, no entanto, é esse mesmo que me derruba, faz de mim coluna oca que se sustenta por obra e graça de algo num patamar acima e abaixo desta, completamente indiferentes e alheios e, porém, numa dependência sem agradecimento. É ingrato, de facto.
Irónico este meu modo de existência por picos, tem até um quê de cómico, para quem os conhece. Acredito que alguém a quem esta insconstância apanhe de surpresa, tenha uma súbita necessidade de fugir a sete pés, talvez até correr um bocadinho, quem sabe. Há dias e dias, compreendo perfeitamente. Eu cá só me lembro de existirem DIAS e dias.
Fico danada por não conseguir mostrar o que quero, quando quero. No fundo está cá tudo. Parece que prego partidas a mim própria e - dependendo do grau de à vontade, derivado de uma data de contextos, estados de espírito e conhecimento dos sujeitos em causa, vezes O DIA - adquiro aquilo que sai no momento. Pior, por mais que o tempo passe, as minha tentativas de contornar a situação falham constantemente e, o castigo por tentar, parece ser um aumento exponencial desta dádiva! Obrigadinha.

Monday, 8 September 2008

para todos os gostos

Prefiro essa metamorfose, não suficientemente forte para me arrancar desta cidade. Efeito sismo que abala e, sobre os escombros, a vontade que tudo volte a ser como antes, antes da ideia de que a realidade poderia muito bem mudar para melhor. Empenho-me para aquilo que sei conseguir alcançar. Grande idiota, não aprendeste nada na escola? Mas é verdade, conheço algumas das minha limitações mas habituei-me, desde sempre, a não perder muito tempo em dissecá-las, não por preguiça, sim por saber que o que vem é negro, não por desinteresse, sim por conforto, talvez insegurança. Defeitos.
Às vezes prefiro a qualidade ao defeito. Embora a qualidade intimide, o defeito diz quem somos, o que devemos ao mundo, o mundo aponta os defeitos e não deixa ao esquecimento. Para qualidades existem prémios. Os defeitos não precisam, desses todos se lembram sem cábula.
Nunca consigo escolher uma estação do ano. Gosto que sejam efémeras, que se vão e que voltem depressa porque já sinto falta e, aí sim, as prefiro mais que tudo.

Saturday, 14 June 2008

outro lado mundo

E se o hoje recuasse uns quantos meses e me surpreendesse com um dia esquecido por aí? Se, um dia de sol, se adivinhasse como o primeiro de tantos outros que já vivi, tantos outros que desperdicei com preguiça e tarefas sem sentido, labirintos de nada em que traço objectivos e procuro a saída com fortuna. É que "labirinto" vem de entranhas, dos intestinos, de nós próprios, portanto, de algo que desconhecemos mas que nos dá forma e metabolismo, contorcido numa cavidade aparentemente simples ao observador mais atento - o abdómen. De facto, se não nos conhecemos ao certo, para quê a aventura por caminhos flamejados com sorte de principiante? Maior do que qualquer dúvida ou dor de cabeça, aliada à incapacidade mirrada de entender o outro, entender aquela acção - nem tanto as palavras - será a eterna busca do que realmente nos vai por dentro.
Dias de folga, porque não? Afinal, está por nossa conta aquilo que queremos receber no fim, a paga divina ou inocente, não cambiável em géneros e afins.
Onde fica o outro lado do mundo? O outro lado do meu mundo és tu. E não é só um dia perdido nos muitos. Mas, como será de esperar, à medida que o meu mundo cresce, vou esquecendo e sendo afastada dessa parte oposta ao lugar onde vivo.

Tuesday, 3 June 2008

downtown

Adorei a fresca realidade de que as cores poderão ser vistas de modo diferente por cada um de nós. Assim, o que poderá contradizer o facto de as pessoas mais cabisbaixas verem as cores mais escuras? Ou que a palete de cores das pessoas com constante brilho interior nao se cinja ao verde amarelo azul e vermelho, bem vivos. E quando aponto para um dálmata, quem me diz que, ao meu lado, não existe alguém que aponta para um cão azul pintalgado de rosa choque?