Saturday, 18 April 2009

nobody knows

É sempre tarde de mais para acordar. Adoraria ter a capacidade matutina de lembrar que há um mundo acelerado lá fora, quando cá dentro o calor dos lençóis enfeitiça como mil sereias.

Friday, 10 April 2009

realmente?

“Não há nada como realmente” – ouvi tantas vezes esta expressão da boca da minha mãe, que nunca me dei ao trabalho de tirar o significado. O tom irónico tem um efeito almofada em mim que me faz guardar tudo num compartimento com tempo de auto-destruição programado. Mas não há, não existe nada como o que realmente se passa, as fantasias não passam de escapes saudáveis, não para o mundo onde gostaríamos de viver, muito pelo contrário, para um mundo onde seria impossível respirar e morreríamos de tédio por falta de contestação ou meio de comparação. São pequenas aspirinas para a alma, remédios mágicos de efeitos variados, para as mais variadas dores de cabeça.
E o realmente pode ser fantástico. Nós e as nossas personalidadezinhas extravagantes temos o poder imenso de empurrar e insistir no que mais parece não ter solução, isto num dia bom. É possível pegar num péssimo acontecimento e tirar uma lição, um apoio, uma fatalidade inevitável, um novo modo de ver a vida, uma forma de crescer, uma forma de ajudar, de nos sentirmos úteis, de dar um rumo. Esta é a capacidade das pessoas que nunca chegaram ao 100% de sanidade mental, das que não se sentam um dia inteiro para pensar, das que sabem que isso trará o dia mau e o outro mundo (cujo o nome não pode ser pronunciado) com toda a sua intenção penetrante e destruidora contra o realmente.