Chateia-me começar com "é incrível", mas tenta-me esse começo de frase, exactamente por ser algo que me vale a pena. Então...
É incrível como os dias correm e como cada pessoa faz por monitorizar a velocidade do comboio. In-crível. Quantas vezes por semana se pensa no "parece que foi ontem...", quantas vezes nos espantamos pela novidade alheia que nos surje pronta (e, ao desconhecido processo de construção, fica a dúvida do trabalho que deu, o que lhe acrescenta uns ?? de admiração), quantas vezes afinal o miúdo já tem dez e não cinco anos, quantas vezes tu próprio não olhas para o espelho e pensas "já?". É, a vida corre(-nos?). Admiro quem lhe passa a perna e anda mais depressa um bocadinho, o suficiente para não pensar nisso e estar em constante construção de sociedade, daquela em que não sobra tempo para mais e amanhã já tenho coisas marcadas.
E eu, que marco tudo em cima do joelho, sinto-me ridícula nestas alturas.
Wednesday, 19 December 2007
Thursday, 29 November 2007
aprende: o melhor da vida são as coisas simples
Lavei a cara, tirei o vestido e pensei na vida. Não, não tenho o que desejo, sei que nunca o terei na totalidade porque, no fundo, não se trata de um objectivo a alcançar, mas sim um objectivo a possuir. Há alturas em que nem sei que nome lhe dar, mas sinto-o a pairar sobre a a rua que percorro, devagar, para tentar perceber. Às vezes sei que não há qualquer tipo de visão ao estilo de aura luminosa, mas acabo por afastar o vazio com a desculpa de que são pensamentos a mais, então sufocam-me e deixam-me tonta, por isso afasto-os. Para um dia, quando já tiver esquecido cada um deles, voltar a tentar lembrar-me de tantos que eram, e assim encontrar um novo objectivo - o de lembrar. Penso que o objectivo último ou, pelo menos, aquele que me superará, será o de ter filhos. Filhos iguais a mim (para já são mesmo só iguais a mim), o meu grande projecto a longo prazo.
Não é de assustar. Toda a mulher com curvas já magicou um bocadinho acerca de uma pequena criatura à sua imagem e semelhança. Até alguns homens, sei. Não quer dizer que se anseie ou pense nisso com o desespero de quem não pode faltar à reunião. Não. Mas, salvo raras excepções, a polaroid imediata da visão do futuro tem, pelo menos, mais duas pessoas. E, na minha, um jardim.
É por isso que, todos os dias, tento plantar uma flor. Quando não consigo e, principalmente, quando é por preguiça mental, há o efeito geada e perco alguns dias de árduo trabalho. Mas as linhas ficam, as cores já estão imaginadas, os canteiros programados, e o mar ao fundo. O cheiro subtil a alfazema, óbvio, à mistura de tulipas brancas. Sempre achei perfeito um ramo de tulipas brancas e alfazemas. Lembra-me da tara antiga da minha mãe por flores amarelas.
Solto o cabelo, já sem nada. São passos simples que nos fazem.
Não é de assustar. Toda a mulher com curvas já magicou um bocadinho acerca de uma pequena criatura à sua imagem e semelhança. Até alguns homens, sei. Não quer dizer que se anseie ou pense nisso com o desespero de quem não pode faltar à reunião. Não. Mas, salvo raras excepções, a polaroid imediata da visão do futuro tem, pelo menos, mais duas pessoas. E, na minha, um jardim.
É por isso que, todos os dias, tento plantar uma flor. Quando não consigo e, principalmente, quando é por preguiça mental, há o efeito geada e perco alguns dias de árduo trabalho. Mas as linhas ficam, as cores já estão imaginadas, os canteiros programados, e o mar ao fundo. O cheiro subtil a alfazema, óbvio, à mistura de tulipas brancas. Sempre achei perfeito um ramo de tulipas brancas e alfazemas. Lembra-me da tara antiga da minha mãe por flores amarelas.
Solto o cabelo, já sem nada. São passos simples que nos fazem.
Tuesday, 27 November 2007
enough is enough?
Não será nunca despropositado ou alarmante dizer-se que não se está satisfeito. Não, não chega. Não, não gostei. E principalmente sim, a culpa é tua.
Mas claro que a culpa não será tua. Aliás, a culpa será sempre, primariamente, minha, por te ter deixado falhar ou, por outro lado, por ter esperado que saltasses por cima dela e me escondesses do mau que tem culpa. Só o bem, que nunca cai do céu, mas que não se questiona.
Agora o que me intriga mesmo é a capacidade de um dia acordar e ser tudo óptimo, positivo, com boas perspectivas. E, talvez até nessa mesma tarde, o céu fechar e desatarmos aos pontapés às pedras do chão. Que direito tem a palpitação de balançar assim conosco? E de desbalançar? A questão é: como manter um estado de espírito por vontade própria?
Mas claro que a culpa não será tua. Aliás, a culpa será sempre, primariamente, minha, por te ter deixado falhar ou, por outro lado, por ter esperado que saltasses por cima dela e me escondesses do mau que tem culpa. Só o bem, que nunca cai do céu, mas que não se questiona.
Agora o que me intriga mesmo é a capacidade de um dia acordar e ser tudo óptimo, positivo, com boas perspectivas. E, talvez até nessa mesma tarde, o céu fechar e desatarmos aos pontapés às pedras do chão. Que direito tem a palpitação de balançar assim conosco? E de desbalançar? A questão é: como manter um estado de espírito por vontade própria?
winning a battle, losing the war
Even though I'll never need her .JPG)
even though she's only giving me pain
I'll be on my knees to feed her
spend a day to make her smile again
Even though I'll never need her
even though she's only giving me pain
As the world is soft around her
leaving me with nothing to disdain
Even though I'm not her minder
even though she doesn't want me around
I am on my feet to find her
to make sure that she is safe and sound
Even though I'm not her minder
even though she doesn't want me around
I am on my feet to find her
to make sure that she is safe from harm
The sun sets on the war.JPG)
.JPG)
the day breaks and everything is new...
everything is new
even though she's only giving me pain
I'll be on my knees to feed her
spend a day to make her smile again
Even though I'll never need her
even though she's only giving me pain
As the world is soft around her
leaving me with nothing to disdain
Even though I'm not her minder
even though she doesn't want me around
I am on my feet to find her
to make sure that she is safe and sound
Even though I'm not her minder
even though she doesn't want me around
I am on my feet to find her
to make sure that she is safe from harm
The sun sets on the war
the day breaks and everything is new...
everything is new
Sunday, 28 October 2007
olha
Olha para mim e diz-me o que vês
Olha para mim e diz-me se me vês
Vês-me?
Que altura do dia me pinta
Que estação do ano, estado de espírito
Qual o melhor ângulo
De qual não se vê que acabei de acordar
De costas não sou eu, nunca vi
De frente, não é o que parece
Não sei porque não está a chover hoje, devia. Tem tudo para chover este dia.
Olha para mim e diz-me se me vês
Vês-me?
Que altura do dia me pinta
Que estação do ano, estado de espírito
Qual o melhor ângulo
De qual não se vê que acabei de acordar
De costas não sou eu, nunca vi
De frente, não é o que parece
Não sei porque não está a chover hoje, devia. Tem tudo para chover este dia.
Tuesday, 23 October 2007
nenhum
O mais absurdo é que, se por rápida decisão de lâmpada de génio, me pusessem a hipótese de voltar atrás, não hesitava. Voltava a viver tudo do mesmo modo, se fosse essa a condição e, talvez, se a condição não existisse, por medo de ser pior. Medo, sempre o medo. Sinto, apesar de tudo, que o disfarço bem, talvez por o vento me bater de frente,
Incrível como o toque saudosista de mim própria me leva, inevitavelmente, sempre aos mesmos momentos, à dúvida - quase certeza de que não se repetirá e que, talvez, tenha tido a minha dose. Por distracção vou colhendo pequenas gramas sem cola, amasso-as e tento formar quatro paredes. Projecto-as, sei exactamente como ficarão após a reforma, sei que será simples como um quadrado sem tecto, para deixar ver as estrelas e girar a luz do sol. O equilíbrio, o horário desejado (que finalmente cumpro), a paz. Quero encontrá-la outra vez e procuro-te sem querer. Eu. não. quero. Tenho a certeza, daí estas linhas ridículas que me contradizem sem me explicarem porquê.
Foi tanta tanta tanta coisa que se passou, que me atropelou nos últimos tempos, tanto que ninguém vê e que é só para mim, tanto que não posso falar por não fazer o mínimo sentido partilhá-lo, dúvidas, memórias, a vida, a morte, a morte, nunca eu, nunca quero ser eu e acabo por sê-lo sempre. Concluo que vivo dos outros, vivo daquilo que dou e só sou feliz se, primeiro, der mais do que recebo e, segundo, der a imagem que gostava que todos transparecessem (espécie de lição), mesmo dentro das suas mil paredes de granito. No fundo, sinto que sou aquilo que penso que O Outro ficou a sentir que eu era. Parece extremamente despersonalizado, mas não estou aqui para inventar ninguém. É assim comigo, é assim contigo? E assim passa o tempo, passam as memórias, esqueço um pouco e volto a mim, hoje e aqui, devastada por estar exactamente no mesmo ponto.
Se berrarmos e ninguém ouvir. Conta?
Sempre achei que sim, mas hoje não. Hoje não conta a tenho a imagem da garrafa de vidro com rolha de cortiça, do desespero de alguém que está lá dentro e bate com as mãos no vidro incessantemente, mesmo sabendo que não há resposta, não vai haver nunca. Então, se não conta, mais valia nunca ter acontecido... Hoje sim.
Como é, então, possível, desejar algo que não sinto? (voltei) Já não vivo do passado, já curei todos os defeitos, já cresci aquele centímetro que me distancia dessa cruz no chão que julgava ser de giz. Agora, sim, cheguei ao ponto que aspirava; digo e repito a mesma história, sem alterações, por ser verdadeira. É real, esforcei-me anormalmente para consegui-lo e tu, à tua maneira imbecil, ajudaste-me. Agora que consegui (...), o que faço? É como se andasse à volta do xis no chão, a dançar, a correr, afasto-me e volto, sempre a rir, mas o perímetro mantém-se e já não existe nada para corrigir. Não há mobília, só eu e a cruz, e talvez quatro paredes.
Já não faz sentido sequer, já somos demasiado diferentes. Revolta-me a característica da dor, de se ir apagando em pixels, parece que troça de mim e aponta para as entrelinhas que só a emoção vê nos momentos mais feios, em contraste com os momentos bons de mais, que ficam.
A bateria do ipod acabou. So am I.
Incrível como o toque saudosista de mim própria me leva, inevitavelmente, sempre aos mesmos momentos, à dúvida - quase certeza de que não se repetirá e que, talvez, tenha tido a minha dose. Por distracção vou colhendo pequenas gramas sem cola, amasso-as e tento formar quatro paredes. Projecto-as, sei exactamente como ficarão após a reforma, sei que será simples como um quadrado sem tecto, para deixar ver as estrelas e girar a luz do sol. O equilíbrio, o horário desejado (que finalmente cumpro), a paz. Quero encontrá-la outra vez e procuro-te sem querer. Eu. não. quero. Tenho a certeza, daí estas linhas ridículas que me contradizem sem me explicarem porquê.
Foi tanta tanta tanta coisa que se passou, que me atropelou nos últimos tempos, tanto que ninguém vê e que é só para mim, tanto que não posso falar por não fazer o mínimo sentido partilhá-lo, dúvidas, memórias, a vida, a morte, a morte, nunca eu, nunca quero ser eu e acabo por sê-lo sempre. Concluo que vivo dos outros, vivo daquilo que dou e só sou feliz se, primeiro, der mais do que recebo e, segundo, der a imagem que gostava que todos transparecessem (espécie de lição), mesmo dentro das suas mil paredes de granito. No fundo, sinto que sou aquilo que penso que O Outro ficou a sentir que eu era. Parece extremamente despersonalizado, mas não estou aqui para inventar ninguém. É assim comigo, é assim contigo? E assim passa o tempo, passam as memórias, esqueço um pouco e volto a mim, hoje e aqui, devastada por estar exactamente no mesmo ponto.
Se berrarmos e ninguém ouvir. Conta?
Sempre achei que sim, mas hoje não. Hoje não conta a tenho a imagem da garrafa de vidro com rolha de cortiça, do desespero de alguém que está lá dentro e bate com as mãos no vidro incessantemente, mesmo sabendo que não há resposta, não vai haver nunca. Então, se não conta, mais valia nunca ter acontecido... Hoje sim.
Como é, então, possível, desejar algo que não sinto? (voltei) Já não vivo do passado, já curei todos os defeitos, já cresci aquele centímetro que me distancia dessa cruz no chão que julgava ser de giz. Agora, sim, cheguei ao ponto que aspirava; digo e repito a mesma história, sem alterações, por ser verdadeira. É real, esforcei-me anormalmente para consegui-lo e tu, à tua maneira imbecil, ajudaste-me. Agora que consegui (...), o que faço? É como se andasse à volta do xis no chão, a dançar, a correr, afasto-me e volto, sempre a rir, mas o perímetro mantém-se e já não existe nada para corrigir. Não há mobília, só eu e a cruz, e talvez quatro paredes.
Já não faz sentido sequer, já somos demasiado diferentes. Revolta-me a característica da dor, de se ir apagando em pixels, parece que troça de mim e aponta para as entrelinhas que só a emoção vê nos momentos mais feios, em contraste com os momentos bons de mais, que ficam.
A bateria do ipod acabou. So am I.
Tuesday, 11 September 2007
why do we fight?
Incrível como, para além da insistente jukebox que parece estar sempre dentro de mim, sinto como se tivesse colunas de estúdio no subconsciente. Ouço perfeitamente a música que me vem neste momento, como se Ela estivesse aqui mesmo ao lado a olhar para mim. "Always...": que grande sonoro. Estupidamente deixo-me levar pelo momento e dou por mim a cantar - rapidamente a gaja aqui do lado desaparece e fico eu.
Não consigo numerar as vezes por dia em que me vêm músicas à cabeça só por ouvir uma palavra ou uma frase, nos momentos mais inoportunos. Segue-se aquela luta constante para afastar a melodia e prestar atenção ao que dizem.
Não consigo numerar as vezes por dia em que me vêm músicas à cabeça só por ouvir uma palavra ou uma frase, nos momentos mais inoportunos. Segue-se aquela luta constante para afastar a melodia e prestar atenção ao que dizem.
Saturday, 1 September 2007
26% de mim
Apetece-me falar mas não me apetece dizer nada, absolutamente. Há alturas em que não se deve dizer nada. É melhor e nunca será forçado. Existe aquele amigo em que a confiança é tal que somos capazes de ligar sem pensar antes no que se vai dizer, sujeitarmo-nos à introspecção silenciosa de minutos, e correr tudo bem. Para quê falar quando não há nada a dizer? Temos que ter sempre assunto? Temos que ter tempo para os assuntos se formarem. Ou então, a preocupação de viver no limite da novidade e de superar expectativas é tanta, que acabamos por passar para a vida dupla de quem conta.
a) viver intensamente porque a vida é curta, exceder o momento
b) viver com calma e conscientemente, prever
Sinceramente, prefiro b. Não afasto o a, é demasiado tentador. Mas persegue-me a necessidade de dar O valor às coisas, aos momentos, transformá-los em raciocínio válido e não obra de outrem. Se tiver sorte por mero acaso, sinto-me bem, obviamente, mas se trabalhar muito para atingir o sucesso, sinto-me ainda melhor. (Acredito, quase ironicamente, na recompensa divina. Verifica-se.)
Se todos os dias forem cheios de inesperado e de novidade, sem escolha por não ser oportunista, não tenho tempo para digerir esse assunto e acabo por atingir o limite da camada casca de ovo, reservada às coisas fúteis, que nos cobre a todos. Se, por outro lado, for cultivando ideias e concretizando-as, parece que passa para o interior, que me coze um bocadinho e tranquiliza. Se calhar vem do medo de me perder, da independência que construo e do terror de olhar para dentro e não me encontrar.
É tarde e estive como quis, só agora reparei nisso.
a) viver intensamente porque a vida é curta, exceder o momento
b) viver com calma e conscientemente, prever
Sinceramente, prefiro b. Não afasto o a, é demasiado tentador. Mas persegue-me a necessidade de dar O valor às coisas, aos momentos, transformá-los em raciocínio válido e não obra de outrem. Se tiver sorte por mero acaso, sinto-me bem, obviamente, mas se trabalhar muito para atingir o sucesso, sinto-me ainda melhor. (Acredito, quase ironicamente, na recompensa divina. Verifica-se.)
Se todos os dias forem cheios de inesperado e de novidade, sem escolha por não ser oportunista, não tenho tempo para digerir esse assunto e acabo por atingir o limite da camada casca de ovo, reservada às coisas fúteis, que nos cobre a todos. Se, por outro lado, for cultivando ideias e concretizando-as, parece que passa para o interior, que me coze um bocadinho e tranquiliza. Se calhar vem do medo de me perder, da independência que construo e do terror de olhar para dentro e não me encontrar.
É tarde e estive como quis, só agora reparei nisso.
Saturday, 11 August 2007
queria tanto
Sobra tanto espaço que é nele que me resguardo, adquiri essa incrível capacidade de camuflar momentaneamente e, talvez acumular, para depois, sozinha, percorrer esse longo caminho de memórias encruzilhadas. Existem poucas pessoas especiais na minha vida, algumas mas poucas. E especial não é simpático, não é, muitas vezes, aquele que aparece mais nas fotografias pelo sorriso pronto a disparar e sentido de oportunidade. Considero-me uma pessoa com má memória, mas vou puxando e vem-me com uma facilidade estranha um entrançado de meus e tus para escalar.
Antes da tristeza vem sempre a felicidade, é aí que me apoio. Já há algum tempo desisti de ir pelo caminho do transcendente, porque não tem volta e porque tenho medo de me perder e ficar sozinha. São tantas as coisas que me prendem a ti, vou bebendo disso até chegar a ressaca. Reparei que, no dia a dia, vinhas facilmente em conversas com amigos, daí que não precise de dar grandes explicações àqueles que querem saber o que sinto e, estupidamente e carinhosamente, quanto sinto. Não há frase gasta que explique aquilo que não quer ser explicado e, principalmente, aquilo que ninguém entenderá e que rapidamente te traduziria num trocar de olhares. Descansa-me ter a certeza que tu o sabias e, mais ainda, por duas ou três palavras, nos momentos certos, só para termos a certeza e viver disso mais uns meses.
O que me faz confusão não é o agora. O paratrás descansa-me, alimenta-me. O paraafrente está confuso, não consigo apagar. O tudo e o nada adquirem contornos diferentes. Não digo "crescer"; chama-se necessidade. Muda como uma roda gigante. Sempre que pára num tema crítico vejo-me a repensar com uma calma que me assusta por não saber quando me vou fartar dela e desatar a correr até não poder mais, até cansar a alma, até não existir mais nenhum vestígio de mim e adormecer do cansaço sem sonhos. No fundo espero que isso aconteça. Tenho, cada vez mais, momentos só meus, momentos em que não interessa o que os bons dizem, nem mesmo o que eu digo.
Não me reconheço nesta calma, é estranho ser para sempre. Demora muito. Habituei-me ao limite temporal do faz e acontece, ao frenesim da recente possibilidade de estar em 5 minutos e falar em 5 segundos, de resolver sem resolver qualquer deserpero vão, tantas vezes fútil.
Pode parecer absurdo mas páro e sinto-me feliz, tive tanta sorte. Guardo-te para sempre e sou, eu parte, por ti.
"i close my eyes, but i don't close my heart..."
Antes da tristeza vem sempre a felicidade, é aí que me apoio. Já há algum tempo desisti de ir pelo caminho do transcendente, porque não tem volta e porque tenho medo de me perder e ficar sozinha. São tantas as coisas que me prendem a ti, vou bebendo disso até chegar a ressaca. Reparei que, no dia a dia, vinhas facilmente em conversas com amigos, daí que não precise de dar grandes explicações àqueles que querem saber o que sinto e, estupidamente e carinhosamente, quanto sinto. Não há frase gasta que explique aquilo que não quer ser explicado e, principalmente, aquilo que ninguém entenderá e que rapidamente te traduziria num trocar de olhares. Descansa-me ter a certeza que tu o sabias e, mais ainda, por duas ou três palavras, nos momentos certos, só para termos a certeza e viver disso mais uns meses.
O que me faz confusão não é o agora. O paratrás descansa-me, alimenta-me. O paraafrente está confuso, não consigo apagar. O tudo e o nada adquirem contornos diferentes. Não digo "crescer"; chama-se necessidade. Muda como uma roda gigante. Sempre que pára num tema crítico vejo-me a repensar com uma calma que me assusta por não saber quando me vou fartar dela e desatar a correr até não poder mais, até cansar a alma, até não existir mais nenhum vestígio de mim e adormecer do cansaço sem sonhos. No fundo espero que isso aconteça. Tenho, cada vez mais, momentos só meus, momentos em que não interessa o que os bons dizem, nem mesmo o que eu digo.
Não me reconheço nesta calma, é estranho ser para sempre. Demora muito. Habituei-me ao limite temporal do faz e acontece, ao frenesim da recente possibilidade de estar em 5 minutos e falar em 5 segundos, de resolver sem resolver qualquer deserpero vão, tantas vezes fútil.
Pode parecer absurdo mas páro e sinto-me feliz, tive tanta sorte. Guardo-te para sempre e sou, eu parte, por ti.
"i close my eyes, but i don't close my heart..."
Saturday, 28 July 2007
gomas
Sinto um desespero grande, sinto-o de vez em quando, não sei muito bem porquê. Desconfio que apareça em momentos de pequena solidão. Não gosto, não sei estar sozinha. Aparentemente os flashes não me atraem mas, quando cruzam o ar e param em mim, sinto-me bem. Gosto de ser apaparicada, daí que os momentos antes de adormecer e depois de acordar, me assustem.
Assustam também porque trazem com uma corrente de ferro, grossa, que há muito soltei, a tua habilidade para a solução. Não que não existam outras fontes, mas essa será sempre a mais fácil e, para não variar, lembro-me de ti. Com rancor.
Os dias fizeram-me esquecer de um caderno onde tinha por hábito escrever mensagens e pensamentos de momento. Nunca estive só, nunca consegui. Por várias vezes necessitei de mais do que uma pessoa, num só dia, naquele dia específico, que me dissesse algo que eu queria ouvir. Depois durava até eu esquecer. Falhou então alguma introspecção que, mesmo não sendo renegada, será sempre posta em cheque quando confrontada com o papel, e a caneta dura no papel. Porque não consigo ser exactamente o que quero? Se é o raciocínio que me comanda e as emoções fazem parte de um pack suplemento, nunca vendido em separado, faria sentido que elas seguissem a ordem do pensamento, com atraso maior ou menor, mas ténue sintonia transversal.
A verdade é que não há maneira de sair da garganta tudo o que quero dizer a mim mesma e berrar a quem não queira ouvir. Frustração por ponderar algo que não existe, alguém que não seguiu o mesmo caminho, mudou de rota, e agora não quero conhecer a diferença por só poder ser pior, e aqui entra a minha incapacidade de lidar com o pior. Não com o mau.
Depois de ler as marcas da caneta da cabeceira, voltei a entender a dimensão do meu castelo - gigante. Fiz por esquecer a capacidade de erguer e chego mesmo à conclusão que deixei de acreditar nela. Passei a acreditar no quotidiano, naquilo que toda a gente fala, no vulgar; para que tudo o que venha por acréscimo seja um ganho maior. Mas está mal, não me sinto eu. Para mim, maior era e vai ser aquilo que eu quero e faço no mesmo momento em que o sinto, para mim nunca será igual, para mim flores?
Então porquê, não com 22 anos, mas desde que me conheço, sofro? Porque não consigo desligar as correntes de metal? Porque é que toda a gente consegue, menos eu? Porquê sempre a instatisfação? Porquê a injustiça? Às vezes parece que não vou aguentar mais, mas não sei como acaba. Simples, não é suposto ser, mas havia de existir um manual básico...
Fazias-me esquecer tudo isto, davas-me a volta com uma pinta. E eu gostava. Sabia perfeitamente que nada desaparecia, mas rendia-me à simplicidade do toque e esvaziava no teu peito.
E agora, onde estás?
Assustam também porque trazem com uma corrente de ferro, grossa, que há muito soltei, a tua habilidade para a solução. Não que não existam outras fontes, mas essa será sempre a mais fácil e, para não variar, lembro-me de ti. Com rancor.
Os dias fizeram-me esquecer de um caderno onde tinha por hábito escrever mensagens e pensamentos de momento. Nunca estive só, nunca consegui. Por várias vezes necessitei de mais do que uma pessoa, num só dia, naquele dia específico, que me dissesse algo que eu queria ouvir. Depois durava até eu esquecer. Falhou então alguma introspecção que, mesmo não sendo renegada, será sempre posta em cheque quando confrontada com o papel, e a caneta dura no papel. Porque não consigo ser exactamente o que quero? Se é o raciocínio que me comanda e as emoções fazem parte de um pack suplemento, nunca vendido em separado, faria sentido que elas seguissem a ordem do pensamento, com atraso maior ou menor, mas ténue sintonia transversal.
A verdade é que não há maneira de sair da garganta tudo o que quero dizer a mim mesma e berrar a quem não queira ouvir. Frustração por ponderar algo que não existe, alguém que não seguiu o mesmo caminho, mudou de rota, e agora não quero conhecer a diferença por só poder ser pior, e aqui entra a minha incapacidade de lidar com o pior. Não com o mau.
Depois de ler as marcas da caneta da cabeceira, voltei a entender a dimensão do meu castelo - gigante. Fiz por esquecer a capacidade de erguer e chego mesmo à conclusão que deixei de acreditar nela. Passei a acreditar no quotidiano, naquilo que toda a gente fala, no vulgar; para que tudo o que venha por acréscimo seja um ganho maior. Mas está mal, não me sinto eu. Para mim, maior era e vai ser aquilo que eu quero e faço no mesmo momento em que o sinto, para mim nunca será igual, para mim flores?
Então porquê, não com 22 anos, mas desde que me conheço, sofro? Porque não consigo desligar as correntes de metal? Porque é que toda a gente consegue, menos eu? Porquê sempre a instatisfação? Porquê a injustiça? Às vezes parece que não vou aguentar mais, mas não sei como acaba. Simples, não é suposto ser, mas havia de existir um manual básico...
Fazias-me esquecer tudo isto, davas-me a volta com uma pinta. E eu gostava. Sabia perfeitamente que nada desaparecia, mas rendia-me à simplicidade do toque e esvaziava no teu peito.
E agora, onde estás?
Friday, 13 July 2007
the body breaks
The body breaks and the body is fine
I'm open to yours and I'm open to mine
The body aches and that ache takes it time
But you'll get over yours and I'll get over mine
And the sun will shine
And the moon will rise
The body calls
Yeah the body it calls out
It whispers at first but it ends with a shout
The body burns
Yeah the body burns strong
Until mine is with yours
Then mine will burn on
My flesh sings out
It sings honey come put me out
The body sways like the wind on a swing
A bridge through a hoop
Or a lake through a ring
The body stays and then the body moves on
And I'd really rather not dwell on when yours will be gone
But within the dark
There is a shine
One tiny spark
That's yours and mine
I'm open to yours and I'm open to mine
The body aches and that ache takes it time
But you'll get over yours and I'll get over mine
And the sun will shine
And the moon will rise
The body calls
Yeah the body it calls out
It whispers at first but it ends with a shout
The body burns
Yeah the body burns strong
Until mine is with yours
Then mine will burn on
My flesh sings out
It sings honey come put me out
The body sways like the wind on a swing
A bridge through a hoop
Or a lake through a ring
The body stays and then the body moves on
And I'd really rather not dwell on when yours will be gone
But within the dark
There is a shine
One tiny spark
That's yours and mine
Wednesday, 27 June 2007
anthology
Fico parva com a maneira fácil como dizes "perdeu-se". Perdeu-se nada, perdeste! Mais, fizeste por isso.
Tanto martelaste no teu mundo de teorias conclusivas e nunca baseada em causas ponderadas, que ganhaste. Só que não estavas à espera. Realmente é incrível como demora atingir limites e, quando acontece, é num ápice, mas atingiste o meu. Finalmente? E o mais (...) é que bate tudo certo, como eu sempre disse - nada cai do céu. Nem o bom, nem o mau. Porque se não nos esforçamos para sermos melhores, para construir, naturalmente que a lei é, de facto, não acontecer nada. Mas se nunca chegamos a fazer para que aconteça e, uma vez que nos convencemos que simplesmente não vai acontecer, acabamos por fazer tudo para que o barco não ande. Enquanto existe alguém que rema ao contrário, ele fica parado, mas quando esse alguém pára de remar... ele anda para trás.
A vida é feita de momentos, disso não tenho dúvidas, mas os momentos não fazem a vida. Será, então, muito pouco, apenas estar presente nesses momentos que "ficam" e também muito pouco provável assistir apenas aos memoráveis. Fará sentido procurar aqueles de quem mais se gosta quando estamos em apuros, mas esses serão aqueles que nos acompanham, não um refúgio guardado à chave para as ocasiões. Não se gastam os dias, vivem-se! Com o prestígio daqueles que queremos ter ao nosso lado e que fazemos questão que o saibam.
Será que gritei baixo de mais?
Podia numerar episódios em que deixei de ouvir para não doer mais. Arrisquei, como sempre, quando acredito, vezes de mais, com força a mais, subi de mais, dei de mais, fiz com que se tornasse num hábito que resolveste combater. Tanto tempo seria poupado se ao menos ouvisses com atenção, como quem ouve a letra de uma música bonita. Um dia a casa cai e, curiosamente, é nesse dia que estranhas e te perguntas porque caiu, porquê agora? É tão óbvio, foram tantas as tentativas, tão poucas as respostas, e dizes "tenho pena"? Pena de quê? De teres sido mero espectador, tal crítico com desdém, mesmo antes do filme começar? Tanta indignação, tanta falta de valor, tantas raízes a características que me impuseste e que saltam fora de contexto só porque estão no sub-subconsciente onde escondeste a tua culpa. E porquê esse medo de ter culpa? Mais que humano é admiti-la, corrigi-la e não repetir! Não reparaste no esforço que faço? E as respostas que tive? Consegues transformá-las em apatia ou esperas que, de tão especial que sou, adivinhe exactamente o que pensas?
Não numero porque já o fiz vezes de mais e não resultou. Não ouves e não pensas no que digo, apenas no que vais dizer ao mesmo tempo que falo, para me confundir e não seres obrigado a responder. Daí que não flua, constrói-se uma barragem onde vai parando o lixo todo. No fundo fui eu que deixei arrastar a situação e, provavelmente, arrastei-te comigo, fui eu que nunca desisti quando devia, porque sou incrivelmente teimosa quando acredito que consigo. E não consigo, agora sei disso.
Tanto martelaste no teu mundo de teorias conclusivas e nunca baseada em causas ponderadas, que ganhaste. Só que não estavas à espera. Realmente é incrível como demora atingir limites e, quando acontece, é num ápice, mas atingiste o meu. Finalmente? E o mais (...) é que bate tudo certo, como eu sempre disse - nada cai do céu. Nem o bom, nem o mau. Porque se não nos esforçamos para sermos melhores, para construir, naturalmente que a lei é, de facto, não acontecer nada. Mas se nunca chegamos a fazer para que aconteça e, uma vez que nos convencemos que simplesmente não vai acontecer, acabamos por fazer tudo para que o barco não ande. Enquanto existe alguém que rema ao contrário, ele fica parado, mas quando esse alguém pára de remar... ele anda para trás.
A vida é feita de momentos, disso não tenho dúvidas, mas os momentos não fazem a vida. Será, então, muito pouco, apenas estar presente nesses momentos que "ficam" e também muito pouco provável assistir apenas aos memoráveis. Fará sentido procurar aqueles de quem mais se gosta quando estamos em apuros, mas esses serão aqueles que nos acompanham, não um refúgio guardado à chave para as ocasiões. Não se gastam os dias, vivem-se! Com o prestígio daqueles que queremos ter ao nosso lado e que fazemos questão que o saibam.
Será que gritei baixo de mais?
Podia numerar episódios em que deixei de ouvir para não doer mais. Arrisquei, como sempre, quando acredito, vezes de mais, com força a mais, subi de mais, dei de mais, fiz com que se tornasse num hábito que resolveste combater. Tanto tempo seria poupado se ao menos ouvisses com atenção, como quem ouve a letra de uma música bonita. Um dia a casa cai e, curiosamente, é nesse dia que estranhas e te perguntas porque caiu, porquê agora? É tão óbvio, foram tantas as tentativas, tão poucas as respostas, e dizes "tenho pena"? Pena de quê? De teres sido mero espectador, tal crítico com desdém, mesmo antes do filme começar? Tanta indignação, tanta falta de valor, tantas raízes a características que me impuseste e que saltam fora de contexto só porque estão no sub-subconsciente onde escondeste a tua culpa. E porquê esse medo de ter culpa? Mais que humano é admiti-la, corrigi-la e não repetir! Não reparaste no esforço que faço? E as respostas que tive? Consegues transformá-las em apatia ou esperas que, de tão especial que sou, adivinhe exactamente o que pensas?
Não numero porque já o fiz vezes de mais e não resultou. Não ouves e não pensas no que digo, apenas no que vais dizer ao mesmo tempo que falo, para me confundir e não seres obrigado a responder. Daí que não flua, constrói-se uma barragem onde vai parando o lixo todo. No fundo fui eu que deixei arrastar a situação e, provavelmente, arrastei-te comigo, fui eu que nunca desisti quando devia, porque sou incrivelmente teimosa quando acredito que consigo. E não consigo, agora sei disso.
Sunday, 24 June 2007
preguiça
A preguiça é lixada. Eu SEI que tenho de ir, fazer, acontecer, O MUNDO pode depender de mim, mas não há temporal que me arraste, principalmente da cama/sofá/cadeiramesmoconfortável. Às vezes até penso... (sim) serei semi-inútil? Porque tenho plena noção das minhas responsabilidades e, na hora de fazer, até faço. Até. Mas, se o todo poderoso, plus alinhamento astronómico xis delta kapa, plus condições climatéricas perfeitas (o que tanto pode ser chuva lá fora com lareira cá dentro, como sol lá fora com sombra cá dentro, dependendo do espírito... e ele há muitos), plus uma constipaçãozinha de nada, plus aqueles momentos em que simplesmente achamos que "merecemos" sabe-se lá porquê, plus inventaram um canal novo que está constantemente a passar séries, plus não lembra ao diabo e principalmente se AINDA faltar um dia para o exame - não há volta a dar.
Ah, e claro que da próxima é que vai ser.
Só mais um bocadinho
Ah, e claro que da próxima é que vai ser.
Só mais um bocadinho
Friday, 22 June 2007
Tuesday, 19 June 2007
t
Eras inacreditável. Contigo nunca me cansava, o tempo voava e, ao mesmo tempo, parecia nunca acabar. Simples gestos transformavam-se, ingenuamente, em felicidade instantânea, sem sequer haver fuga para avaliações de momento. Éramos, simplesmente.
Há melodia nos pensamentos, sei cada uma de cor, a sensação assemelha-se a um crescento de pressão dentro do peito, ao mesmo tempo que sinto que atrofia, estranho. "O que tem que ser tem muita força". E o que não tem? Acredito que tenha ainda mais. Chega a pesar a maneira como aprendo que já sabia que o mundo não era cor-de-rosa e que não posso ter tudo o que quero, mas aprender que há coisas que não controlamos, por muito que lutemos, custa-me. É um remar contra a maré que vai contra toda a minha ideologia. Nunca desistir do que acredito, mas porque acredito? A insustentável certeza de que 1+1 não são 2.
Não sei porque o universo me prende assim, que mensagem terá a transmitir. A verdade é que nem é nem deixa de ser. Melhor, não é mas teima em ser sem poder ser. Interpretações voam e caem sempre na que mais se assemelha ao altruísmo, à "função" destinada. E eu tento e não consigo, lá está a barreira, não mais forte do que eu, mas forte o suficiente para me derrubar, deixar levantar e voltar a derrubar, vezes sem conta. Mas não consigo desistir, simplesmente adio e aproveito o tempo para pensar numa maneira melhor de te ajudar. Talvez a voltares a ser o que eras, não para mim, já não te vejo como exclusivo há muito tempo, para todos. Se ao menos me deixasses, se houvesse uma frincha aberta, que fazes questão de fechar, será que conseguia, será que me sentiria livre?
Todos os dias eram novos, sempre a novidade, caída do céu ou por empenho, mas sempre. Passavam com o pensamento cheio de ideias, cheio de vontade. Tanta coisa foi escrita, admira-me que ainda não tenha rompido. Mas acho que rompeu, pelo menos é o que penso neste exacto momento. A sensação é sempre diferente. Aliada à perda, existe também uma vontade mínima de deixar a casa limpa, deixar-te pronto para seguir pelo bom caminho, aquele que te fará feliz, o correcto. Resta saber se estou a adiar, ou se me estou a desprender. Razões para um lado e razões para o outro. Empate.
Há melodia nos pensamentos, sei cada uma de cor, a sensação assemelha-se a um crescento de pressão dentro do peito, ao mesmo tempo que sinto que atrofia, estranho. "O que tem que ser tem muita força". E o que não tem? Acredito que tenha ainda mais. Chega a pesar a maneira como aprendo que já sabia que o mundo não era cor-de-rosa e que não posso ter tudo o que quero, mas aprender que há coisas que não controlamos, por muito que lutemos, custa-me. É um remar contra a maré que vai contra toda a minha ideologia. Nunca desistir do que acredito, mas porque acredito? A insustentável certeza de que 1+1 não são 2.
Não sei porque o universo me prende assim, que mensagem terá a transmitir. A verdade é que nem é nem deixa de ser. Melhor, não é mas teima em ser sem poder ser. Interpretações voam e caem sempre na que mais se assemelha ao altruísmo, à "função" destinada. E eu tento e não consigo, lá está a barreira, não mais forte do que eu, mas forte o suficiente para me derrubar, deixar levantar e voltar a derrubar, vezes sem conta. Mas não consigo desistir, simplesmente adio e aproveito o tempo para pensar numa maneira melhor de te ajudar. Talvez a voltares a ser o que eras, não para mim, já não te vejo como exclusivo há muito tempo, para todos. Se ao menos me deixasses, se houvesse uma frincha aberta, que fazes questão de fechar, será que conseguia, será que me sentiria livre?
Todos os dias eram novos, sempre a novidade, caída do céu ou por empenho, mas sempre. Passavam com o pensamento cheio de ideias, cheio de vontade. Tanta coisa foi escrita, admira-me que ainda não tenha rompido. Mas acho que rompeu, pelo menos é o que penso neste exacto momento. A sensação é sempre diferente. Aliada à perda, existe também uma vontade mínima de deixar a casa limpa, deixar-te pronto para seguir pelo bom caminho, aquele que te fará feliz, o correcto. Resta saber se estou a adiar, ou se me estou a desprender. Razões para um lado e razões para o outro. Empate.
Monday, 18 June 2007
e depois?
Ainda bem que não gosto de tudo! A sério, fico mesmo contente quando chego a um lugar e não gosto de alguma coisa. Chegar a casa de um amigo e não gostar daquele conjunto de pratos de "colecção" na sala, ir a casa dos meus avós e ficar tipo wow sempre que vejo o barco 3D pregado em cima do sofá, entrar numa loja dos chineses e não comprar nada, dar-me bem com alguns gessos, ir a uma exposição (grátis) e odiaaar aquele quadro que aparece no folheto, não gostar do colar da amiga com quem passei o dia, a gótica lá da faculdade que virou sexy... É óptimo.
As pessoas têm história, têm carisma e objectos que nem elas muitas vezes gostam mas que guardam porque lhes diz alguma coisa que mais ninguém no mundo perceberá. Porque é que será mau ou pior andar de chinelo e meia? (desde que não seja o chinelo de dedo com meia, porque ali a meia encrava) Existem regras? É má educação? Então que usem e abusem, desde que não cheire mal. E se quiserem colar um brilhante no dente, colem! É hoje, não é quando as pessoas já não acharem mal.
Ainda bem que não gostas de tudo.
As pessoas têm história, têm carisma e objectos que nem elas muitas vezes gostam mas que guardam porque lhes diz alguma coisa que mais ninguém no mundo perceberá. Porque é que será mau ou pior andar de chinelo e meia? (desde que não seja o chinelo de dedo com meia, porque ali a meia encrava) Existem regras? É má educação? Então que usem e abusem, desde que não cheire mal. E se quiserem colar um brilhante no dente, colem! É hoje, não é quando as pessoas já não acharem mal.
Ainda bem que não gostas de tudo.
devaneio de consciência que pesa
Às tantas aquilo que sempre desejamos não é o que melhor nos faz e acaba por tornar-se o nosso pior pesadelo. Tantas voltas deu, tantos planos... Um mundo feito à volta de uma ideia pode, realmente, quase que realizá-la. Quase...
Bom seria acordar um dia e dizer: não! Tive outra ideia. Em tempos criei uma teoria em que as pessoas tinham limites insustentáveis (ao estilo do anjo que tem um pensamento mau e fffsst, desaparece). Então, as relações, no seu decurso, tendem a chegar a pontos críticos; muito simplesmente, num gráfico, altos, baixos e assim assim's. Fazendo a média, o objectivo óbvio será sempre um resultado positivo, coisa que podemos, minima ou maximamente, controlar. Mas às vezes descontrolam-se, havendo duas hipóteses: ou para super bem, ou para péssimo. Ora, atingindo um determinado limite negativo (apenas o negativo), as duas entidades da relação ficariam apenas com uma "impressão" sobre o outro, esquecendo completamente tanto o bom como o mau - nova hipótese para os dois.
Isto parecia muito melhor quando pensei, mas há-de fazer sentido para alguém.
Bom seria acordar um dia e dizer: não! Tive outra ideia. Em tempos criei uma teoria em que as pessoas tinham limites insustentáveis (ao estilo do anjo que tem um pensamento mau e fffsst, desaparece). Então, as relações, no seu decurso, tendem a chegar a pontos críticos; muito simplesmente, num gráfico, altos, baixos e assim assim's. Fazendo a média, o objectivo óbvio será sempre um resultado positivo, coisa que podemos, minima ou maximamente, controlar. Mas às vezes descontrolam-se, havendo duas hipóteses: ou para super bem, ou para péssimo. Ora, atingindo um determinado limite negativo (apenas o negativo), as duas entidades da relação ficariam apenas com uma "impressão" sobre o outro, esquecendo completamente tanto o bom como o mau - nova hipótese para os dois.
Isto parecia muito melhor quando pensei, mas há-de fazer sentido para alguém.
Saturday, 16 June 2007
Thursday, 14 June 2007
busy
A existência por si parece que nos impele a não existir. Existir no sentido de fazer a diferença, SER diferente, ou simplesmente ser, espontaneamente. Sinto falta da excepção, não à regra mas a todo um ambiente climatizado imposto por demasiadas sociedades. Não será nenhum de nós a mudar as voltas ao mundo, partindo do princípio que a volta, por si só, não é uma volta, é um percurso oscilante e nunca geometricamente igual, por muitas voltas que rodem.
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