Eras inacreditável. Contigo nunca me cansava, o tempo voava e, ao mesmo tempo, parecia nunca acabar. Simples gestos transformavam-se, ingenuamente, em felicidade instantânea, sem sequer haver fuga para avaliações de momento. Éramos, simplesmente.
Há melodia nos pensamentos, sei cada uma de cor, a sensação assemelha-se a um crescento de pressão dentro do peito, ao mesmo tempo que sinto que atrofia, estranho. "O que tem que ser tem muita força". E o que não tem? Acredito que tenha ainda mais. Chega a pesar a maneira como aprendo que já sabia que o mundo não era cor-de-rosa e que não posso ter tudo o que quero, mas aprender que há coisas que não controlamos, por muito que lutemos, custa-me. É um remar contra a maré que vai contra toda a minha ideologia. Nunca desistir do que acredito, mas porque acredito? A insustentável certeza de que 1+1 não são 2.
Não sei porque o universo me prende assim, que mensagem terá a transmitir. A verdade é que nem é nem deixa de ser. Melhor, não é mas teima em ser sem poder ser. Interpretações voam e caem sempre na que mais se assemelha ao altruísmo, à "função" destinada. E eu tento e não consigo, lá está a barreira, não mais forte do que eu, mas forte o suficiente para me derrubar, deixar levantar e voltar a derrubar, vezes sem conta. Mas não consigo desistir, simplesmente adio e aproveito o tempo para pensar numa maneira melhor de te ajudar. Talvez a voltares a ser o que eras, não para mim, já não te vejo como exclusivo há muito tempo, para todos. Se ao menos me deixasses, se houvesse uma frincha aberta, que fazes questão de fechar, será que conseguia, será que me sentiria livre?
Todos os dias eram novos, sempre a novidade, caída do céu ou por empenho, mas sempre. Passavam com o pensamento cheio de ideias, cheio de vontade. Tanta coisa foi escrita, admira-me que ainda não tenha rompido. Mas acho que rompeu, pelo menos é o que penso neste exacto momento. A sensação é sempre diferente. Aliada à perda, existe também uma vontade mínima de deixar a casa limpa, deixar-te pronto para seguir pelo bom caminho, aquele que te fará feliz, o correcto. Resta saber se estou a adiar, ou se me estou a desprender. Razões para um lado e razões para o outro. Empate.
Tuesday, 19 June 2007
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