Sobra tanto espaço que é nele que me resguardo, adquiri essa incrível capacidade de camuflar momentaneamente e, talvez acumular, para depois, sozinha, percorrer esse longo caminho de memórias encruzilhadas. Existem poucas pessoas especiais na minha vida, algumas mas poucas. E especial não é simpático, não é, muitas vezes, aquele que aparece mais nas fotografias pelo sorriso pronto a disparar e sentido de oportunidade. Considero-me uma pessoa com má memória, mas vou puxando e vem-me com uma facilidade estranha um entrançado de meus e tus para escalar.
Antes da tristeza vem sempre a felicidade, é aí que me apoio. Já há algum tempo desisti de ir pelo caminho do transcendente, porque não tem volta e porque tenho medo de me perder e ficar sozinha. São tantas as coisas que me prendem a ti, vou bebendo disso até chegar a ressaca. Reparei que, no dia a dia, vinhas facilmente em conversas com amigos, daí que não precise de dar grandes explicações àqueles que querem saber o que sinto e, estupidamente e carinhosamente, quanto sinto. Não há frase gasta que explique aquilo que não quer ser explicado e, principalmente, aquilo que ninguém entenderá e que rapidamente te traduziria num trocar de olhares. Descansa-me ter a certeza que tu o sabias e, mais ainda, por duas ou três palavras, nos momentos certos, só para termos a certeza e viver disso mais uns meses.
O que me faz confusão não é o agora. O paratrás descansa-me, alimenta-me. O paraafrente está confuso, não consigo apagar. O tudo e o nada adquirem contornos diferentes. Não digo "crescer"; chama-se necessidade. Muda como uma roda gigante. Sempre que pára num tema crítico vejo-me a repensar com uma calma que me assusta por não saber quando me vou fartar dela e desatar a correr até não poder mais, até cansar a alma, até não existir mais nenhum vestígio de mim e adormecer do cansaço sem sonhos. No fundo espero que isso aconteça. Tenho, cada vez mais, momentos só meus, momentos em que não interessa o que os bons dizem, nem mesmo o que eu digo.
Não me reconheço nesta calma, é estranho ser para sempre. Demora muito. Habituei-me ao limite temporal do faz e acontece, ao frenesim da recente possibilidade de estar em 5 minutos e falar em 5 segundos, de resolver sem resolver qualquer deserpero vão, tantas vezes fútil.
Pode parecer absurdo mas páro e sinto-me feliz, tive tanta sorte. Guardo-te para sempre e sou, eu parte, por ti.
"i close my eyes, but i don't close my heart..."
Saturday, 11 August 2007
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