Tentarei inventar-me neste fim de mundo que é a vida. Sim, vou esforçar-me por isso e consegui-lo.
1. Vou ajudar o próximo porque está em mim e não porque penso ser o correcto. Claro que é por satisfação pessoal, mas daí a esse prazer provir da notícia de que ajudei, ou de ter escrito na agenda que o iria fazer, ou mesmo para me sentir melhor comigo mesma pelo copo estar meio vazio... Não. Vou ajudar porque sinto e ponto. Quando não sentir, aí faço o esforço.
2. O pressentimento de 2008 realmente bateu forte. Não sei nem quero saber porquê, até porque pressentimentos são mesmo assim, infundados. Será, obviamente, uma grande banhada se, daqui a um mês, uma desgraça acontecer. Mas sinto que não. Poderá ser do desejo e vontade para que realmente se realize tudo pelo melhor, mas serão sempre pensamentos causais de ambição e desespero. Neste momento não.
3. Tolerância: face um mau exemplo há duas atitudes a tomar. Ou o seguimos por raiva sem maturidade, ou o superamos tentando nunca ser como x. Então, tolerar, será aquilo que de mais precioso me poderão dar este ano. Mãe, obrigada. Saber como reagir e como ser positivo quando é necessário, ganhar "calo" a situações constrangedoras ou de impaciência, ser amigo num dia não. Sorrir e aprender a lição que chega em tom monocórdico e demasiado lenta, mas que, nem por isso é má, pelo contrário, se ao menos prestássemos atenção... Sempre sem ser lorpa.
4. Parar e pensar. Esclarecer antes de agir. Pôr tudo em pratos limpos. Vejo-me como uma tempestade, uma trovoada ao longe, ao estilo de guerra dos deuses. O que parece megalómano, mas é mau e provoca destruição. Então, por favor, esforça-te (eu). Saber o que quero, quem quero, quando, porquê, onde e como. Não será muito difícil porque os outros conseguem, embora, cada vez mais, me pareça que os outros se assemelham bastante e mim e, por isso, sejamos todos semi-adultos que se aproximam, cada vez mais também, à insegura imagem dos pais que afinal não são perfeitos.
A verdade é que tenho-me deixado andar e vejo-me a mudar sem mudar de discurso. Ou seja, parece que alguns princípios vão mudando, reajo de modo diferente em algumas situações, vou por caminhos e tentativas que, no fundo, ainda não estão bem escritas em mim. Daí que seja tudo uma grande baralhada e, no fim das contas, não saiba muito bem onde enquadrar a mistura. O ir pela emoção ou pelo momento, sem saber muito bem porquê ou, então, a saber o porquê que antes não servia. Tenho de parar para pensar.
O anseio pela novidade e a certeza de que, neste momento, nada me prende, trazem a tentação de fazer tudo aquilo que não fiz e, por isso, fazê-lo sem saber como reagir às consequências, garantindo que nunca serão graves, por jogo aberto e falta de compromisso. Pode parecer exagerado, dramático ou até algo que não é. Mas é assim na minha cabeça. Não ando para aí a realizar os meus desejos mais profundos, até porque não serão assim tão obscuros e nem passam pelo sado masoquismo.
Sinto falta de algo que me transcenda, de um marco a seguir por amor. Que me faça acordar sem ameaçar o despertador e adormecer com sono. Sinto mesmo falta disso tudo e, porra, sinto falta porque já o tive. Parece maldição. Supostamente, "quando menos esperares" a vida dá voltas que não se imaginam e o coração passa mesmo a ter razões que a própria razão desconhece. Mas QUANDO? Não posso dizer que não procure, porque já tentei procurar, deixei de procurar, voltei, deixei, deixei, até que deixei mesmo e fiquei à espera. Não há pior do que esperar. Então mudei e comecei a abrir janelas, dar-me a conhecer mais, sair mais, alinhar mais, o necessário Típico. E vai resultando. O tempo passa a voar, faço tudo o que faria e mais alguma coisa, não sobra muito espaço para pensamentos de linha condutora porque as situações, num mesmo dia, são demasiado diversas. Mas divirto-me e ganho tanto com os meus que me sinto preenchida.
Ao mesmo tempo a confusão de quem vai experimentando a receita até chegar às doses certas. Devagarinho, sem deixar queimar ou saber mal. Porque essa parte está bem definida. Mas acabam por surgir mini dúvidas de vários ângulos e feitios. Coisas que desconheço e algum desinteresse por outras que reconheço, mas com as quais não quero lidar por não me sentir preparada, nem existir um impulso em mim que me faça arriscar, apostar e fazer planos a longo prazo.
No entanto há muita coisa boa para estes dias. Em alturas de reflexão é bom ter rasgos de riso e loucura pelo bom que se fez, pelos elogios, pelo que recebo e dou sem haver contas ao meio. Faz-me querer mais. Apenas o pensamento inseguro da dúvida entre o crescer e a felicidade dos ignorantes. Esse prende-me.
(5.6.7.8.)
Teria mais uns dois mil e tantos mas para isso ficam conversas de praia, de meia noite, de noite, de frio, da hora certa no sítio certo, de desespero, de salvação, de chacha, de carro, e nunca de telefone.
Benvindo.
Monday, 7 January 2008
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