Saturday, 14 June 2008

outro lado mundo

E se o hoje recuasse uns quantos meses e me surpreendesse com um dia esquecido por aí? Se, um dia de sol, se adivinhasse como o primeiro de tantos outros que já vivi, tantos outros que desperdicei com preguiça e tarefas sem sentido, labirintos de nada em que traço objectivos e procuro a saída com fortuna. É que "labirinto" vem de entranhas, dos intestinos, de nós próprios, portanto, de algo que desconhecemos mas que nos dá forma e metabolismo, contorcido numa cavidade aparentemente simples ao observador mais atento - o abdómen. De facto, se não nos conhecemos ao certo, para quê a aventura por caminhos flamejados com sorte de principiante? Maior do que qualquer dúvida ou dor de cabeça, aliada à incapacidade mirrada de entender o outro, entender aquela acção - nem tanto as palavras - será a eterna busca do que realmente nos vai por dentro.
Dias de folga, porque não? Afinal, está por nossa conta aquilo que queremos receber no fim, a paga divina ou inocente, não cambiável em géneros e afins.
Onde fica o outro lado do mundo? O outro lado do meu mundo és tu. E não é só um dia perdido nos muitos. Mas, como será de esperar, à medida que o meu mundo cresce, vou esquecendo e sendo afastada dessa parte oposta ao lugar onde vivo.

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