Thursday, 29 November 2007

aprende: o melhor da vida são as coisas simples

Lavei a cara, tirei o vestido e pensei na vida. Não, não tenho o que desejo, sei que nunca o terei na totalidade porque, no fundo, não se trata de um objectivo a alcançar, mas sim um objectivo a possuir. Há alturas em que nem sei que nome lhe dar, mas sinto-o a pairar sobre a a rua que percorro, devagar, para tentar perceber. Às vezes sei que não há qualquer tipo de visão ao estilo de aura luminosa, mas acabo por afastar o vazio com a desculpa de que são pensamentos a mais, então sufocam-me e deixam-me tonta, por isso afasto-os. Para um dia, quando já tiver esquecido cada um deles, voltar a tentar lembrar-me de tantos que eram, e assim encontrar um novo objectivo - o de lembrar. Penso que o objectivo último ou, pelo menos, aquele que me superará, será o de ter filhos. Filhos iguais a mim (para já são mesmo só iguais a mim), o meu grande projecto a longo prazo.
Não é de assustar. Toda a mulher com curvas já magicou um bocadinho acerca de uma pequena criatura à sua imagem e semelhança. Até alguns homens, sei. Não quer dizer que se anseie ou pense nisso com o desespero de quem não pode faltar à reunião. Não. Mas, salvo raras excepções, a polaroid imediata da visão do futuro tem, pelo menos, mais duas pessoas. E, na minha, um jardim.
É por isso que, todos os dias, tento plantar uma flor. Quando não consigo e, principalmente, quando é por preguiça mental, há o efeito geada e perco alguns dias de árduo trabalho. Mas as linhas ficam, as cores já estão imaginadas, os canteiros programados, e o mar ao fundo. O cheiro subtil a alfazema, óbvio, à mistura de tulipas brancas. Sempre achei perfeito um ramo de tulipas brancas e alfazemas. Lembra-me da tara antiga da minha mãe por flores amarelas.
Solto o cabelo, já sem nada. São passos simples que nos fazem.

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