Monday, 8 September 2008

para todos os gostos

Prefiro essa metamorfose, não suficientemente forte para me arrancar desta cidade. Efeito sismo que abala e, sobre os escombros, a vontade que tudo volte a ser como antes, antes da ideia de que a realidade poderia muito bem mudar para melhor. Empenho-me para aquilo que sei conseguir alcançar. Grande idiota, não aprendeste nada na escola? Mas é verdade, conheço algumas das minha limitações mas habituei-me, desde sempre, a não perder muito tempo em dissecá-las, não por preguiça, sim por saber que o que vem é negro, não por desinteresse, sim por conforto, talvez insegurança. Defeitos.
Às vezes prefiro a qualidade ao defeito. Embora a qualidade intimide, o defeito diz quem somos, o que devemos ao mundo, o mundo aponta os defeitos e não deixa ao esquecimento. Para qualidades existem prémios. Os defeitos não precisam, desses todos se lembram sem cábula.
Nunca consigo escolher uma estação do ano. Gosto que sejam efémeras, que se vão e que voltem depressa porque já sinto falta e, aí sim, as prefiro mais que tudo.

1 comment:

Raquel said...

Gosto de pensar que há uma dimensão paralela que nos permite manter à tona. Acima de tudo o que por nós passa, sem pedir licença, e nos leva junto, no correr do dia-a-dia.
Gosto de pensar que é nesta dimensão e não na outra (a mais abaixo) que estaremos sempre perto. Faz-me bem.