Tuesday, 30 June 2009

respira

Non so perchè oggi mi sento così piena di cose che non so spiegare cosa sono. Forse stamatina mi sono svegliata con i piedi sul cuscino o, invece, è più una di queste cose ormonale che sembrano granate senza tempo di attivazione prenotato. Mai dormire troppo in un giorno di sole, mai. I gradi diventano un mal di testa incredible.

Monday, 22 June 2009

a más horas

Ficou um punho que me aperta o coração até adormecer, com o desconhecimento de como será quando acordar. Como será? Para já - fiquei sozinha - sinto falta do corpo, dos passos e dos sons a que tão rapidamente me habituei, mesmo aqueles irritantes que normalmente só os outros ouvem. Gosto de te ter comigo, fazes rapidamente parte de mim e deixas-me sozinha, o que é irreparável.
Engraçado como, no dia a dia, tanta gente por nós passa, tantos bom-dias, tantas despedidas de 5 minutos, até já's, volte sempre's, até nunca. E imaginar a capacidade simples que algumas pessoas têm de nos deixar de mãos a abanar com um simples "ciao". Mesmo quando é de conhecimento geral que existirá um retorno, fica a agonia desses 28 dias que restam. Esse período transforma-se numa vida, em que o 28 é o dia da morte do período e, portanto, o dia de maior sofrimento.

Saturday, 30 May 2009

e se vieres aqui antes?

Este é para ti. Espero que estejas a dormir porque te quero bem demais.

A tinta da caneta faz pensar duas vezes. Penso que o teclado do computador faz pensar -2 e, logo a seguir, +2, o que, em termos teóricos dará duas vezes, correcto, mas em termos práticos dá uns bons 4. Porque sabemos que facilmente se apaga (beautiful delete) e que facilmente se repensa corrige, até porque, muitas vezes, dizemos o que não queremos, talvez pela formatização que este mundo e algumas cidade em especial nos tentam impor. Assim, com rewinds e fast fowards, sai muito naturalmente algo parecido com aquilo que sentimos.

Também este parágrafo espaçado faz respirar, o que é bom. Faz muito calor aqui.

Adoro que, especialmente tu, tenhas ainda a capacidade de não fazer sentido. Sim, tu das costas direitas. Conheço-te. Fazer sentido torna-nos apresentáveis, mas nem sempre correctos e mais, nem sempre felizes. Sentido qb, nas coisas burocráticas, na base de tudo aquilo que resumimos antes de fechar os olhos para dormir - sim. Sentido nas pequenas coisas, na aceitação da realidade, no espanto, no amor, numa risada (e são tantaaas sem sentido)... - definitivamente não. Até porque arranjar sentido para tudo na vida é um trabalho que nem sequer é remunerado e que, garantidamente, terá as mais variadas queixas. É uma coisa muito própria.

Penso que é inevitável vivermos um bocado a vida dos outros. Caímos de pára-quedas num mundo já feito. Antes de nós, muitos e muitos nós já por aqui passaram e, mesmo aqueles que não aparecem nas enciclopédias, deixaram o seu cunho. Portanto, nada mais lógico do que sentir, quando se pensa mais profundamente, um certo deslocamento em relação àquilo que nos impulsiona na vida. O importante será ter a certeza de que, pelo menos os nossos passos, são dados com as nossas pernas, e não às cavalitas de outrem. Posso não saber porque me levanto todas as manhãs, mas ao menos sei porque saio de casa.

E eu não sou assim uma ilha, como tu dizes. Quando acordo sem saber o que fazer, sinto pavor.

Mas abraço-te.

Saturday, 18 April 2009

nobody knows

É sempre tarde de mais para acordar. Adoraria ter a capacidade matutina de lembrar que há um mundo acelerado lá fora, quando cá dentro o calor dos lençóis enfeitiça como mil sereias.

Friday, 10 April 2009

realmente?

“Não há nada como realmente” – ouvi tantas vezes esta expressão da boca da minha mãe, que nunca me dei ao trabalho de tirar o significado. O tom irónico tem um efeito almofada em mim que me faz guardar tudo num compartimento com tempo de auto-destruição programado. Mas não há, não existe nada como o que realmente se passa, as fantasias não passam de escapes saudáveis, não para o mundo onde gostaríamos de viver, muito pelo contrário, para um mundo onde seria impossível respirar e morreríamos de tédio por falta de contestação ou meio de comparação. São pequenas aspirinas para a alma, remédios mágicos de efeitos variados, para as mais variadas dores de cabeça.
E o realmente pode ser fantástico. Nós e as nossas personalidadezinhas extravagantes temos o poder imenso de empurrar e insistir no que mais parece não ter solução, isto num dia bom. É possível pegar num péssimo acontecimento e tirar uma lição, um apoio, uma fatalidade inevitável, um novo modo de ver a vida, uma forma de crescer, uma forma de ajudar, de nos sentirmos úteis, de dar um rumo. Esta é a capacidade das pessoas que nunca chegaram ao 100% de sanidade mental, das que não se sentam um dia inteiro para pensar, das que sabem que isso trará o dia mau e o outro mundo (cujo o nome não pode ser pronunciado) com toda a sua intenção penetrante e destruidora contra o realmente.

Tuesday, 9 December 2008

é muito muito raro

Nem sempre temos o que queremos e raramente encontramos o que procuramos vezes sem conta.
Assimilar determinadas ideias é quase como um emprego - às vezes tem de ser. Sem dependências de estado de espírito e até mais, sem receber. A recompensa final de certas decisões nem sempre nos compensa, pela impossibilidade de comparação com "o que poderia ter sido" e não foi, porque assim decidimos, porque assim teve de ser. Talvez porque, no fundo, não era o que desejávamos. Pergunto-me se o tempo que perdemos a desejar não será uma perda de tempo. Aspirar pode ser muito perigoso, poderá ter a capacidade de nos impedir de voltar atrás ideologicamente, presos numa realidade que não acompanha o nosso corpo e as vivências em que fomos encaixados, restando apenas uma mudança drástica de código postal.

Monday, 20 October 2008

os carros não chiam

Existem circunstâncias na vida que nos fazem deixar o corpo e ser qualquer outra coisa que, pela capacidade de instante, são o defeito ideal do momento. Já me aconteceu. Já aconteceu ir contra mim própria, lutar durante um dia contra idealismos com que cresci e me formei, deixar-me levar pela maré para conseguir enfrentá-la num ponto mais fácil. Fácil, onde me esqueci de tudo o que me tirou as forças. Era tão difícil deixar de ser eu que se tornou bem mais fácil esquecer-me. E quando nos esquecemos não há volta que volte. Por mais simulação de lufada de ar fresco que seja, a longo prazo apercebemo-nos que deixamos de ser nós próprios, que foi algo que teve que acontecer com grande intensidade para mudar algo que tinha de ser mudado. Caso contrário, ainda estaria a sofrer pelo incompreensível de anos atrás. Caso contrário, nunca teria conseguido mudar e ver o mundo deste modo mais real. Caso contrário, ainda acreditaria genuinamente (e não só por conveniência pessoal e secreta) que os sonhos se podem tornar realidade e que vai haver um dia em que vou acordar e adormecer feliz.

A ideia de que o passado traz saudade, de que o que era dantes - nós próprios há uns anos, a sociedade de antigamente, os instrumentos mais básicos - era bem melhor, de que já foi e já aconteceu de outro modo mais agradável: não faz grande sentido. Obviamente que existiram e existirão sempre situações mais positivas ou mais negativas, sem dúvida. Errar, acertar, voltar a errar, corrigir, inventar, falhar, esquecer. Faz parte.
Em termos humanos, em relação ao tal saudosismo que separo de todo o resto objectivo, esse está sempre aliado ao esquecimento selectivo do mau ou do bom, que nos faz ter uma ideia muito certa do que se passou, consoante a sensação que predominou na altura. E, ironicamente, quanto mais pensamos, mais nos enterramos nessa mesma ideia e nos confortamos na certeza de que estamos certos. Chama-se a isso limpar o pó.
Em termos de evolução, penso que exiriam muito menos acidentes se os carros não andassem tão depressa e chiassem quando travam. Não só pelo efeito buzina, mas também porque é o carro que nos chama à atenção e, caramba, ser repreendido pelo próprio carro nunca foi muito admirável. Não conheço nenhum GPS que berre com o condutor porque este contornou a rotunda em sentido contrário.
Mas isto sou eu, aqui.

Monday, 15 September 2008

infortúnio raios e dilúvios. venham por favor

Que dia triste. Uma estrada de cinza vazia de tudo e de todos. Sinto que não tenho conteúdo, no entanto, é esse mesmo que me derruba, faz de mim coluna oca que se sustenta por obra e graça de algo num patamar acima e abaixo desta, completamente indiferentes e alheios e, porém, numa dependência sem agradecimento. É ingrato, de facto.
Irónico este meu modo de existência por picos, tem até um quê de cómico, para quem os conhece. Acredito que alguém a quem esta insconstância apanhe de surpresa, tenha uma súbita necessidade de fugir a sete pés, talvez até correr um bocadinho, quem sabe. Há dias e dias, compreendo perfeitamente. Eu cá só me lembro de existirem DIAS e dias.
Fico danada por não conseguir mostrar o que quero, quando quero. No fundo está cá tudo. Parece que prego partidas a mim própria e - dependendo do grau de à vontade, derivado de uma data de contextos, estados de espírito e conhecimento dos sujeitos em causa, vezes O DIA - adquiro aquilo que sai no momento. Pior, por mais que o tempo passe, as minha tentativas de contornar a situação falham constantemente e, o castigo por tentar, parece ser um aumento exponencial desta dádiva! Obrigadinha.

Monday, 8 September 2008

para todos os gostos

Prefiro essa metamorfose, não suficientemente forte para me arrancar desta cidade. Efeito sismo que abala e, sobre os escombros, a vontade que tudo volte a ser como antes, antes da ideia de que a realidade poderia muito bem mudar para melhor. Empenho-me para aquilo que sei conseguir alcançar. Grande idiota, não aprendeste nada na escola? Mas é verdade, conheço algumas das minha limitações mas habituei-me, desde sempre, a não perder muito tempo em dissecá-las, não por preguiça, sim por saber que o que vem é negro, não por desinteresse, sim por conforto, talvez insegurança. Defeitos.
Às vezes prefiro a qualidade ao defeito. Embora a qualidade intimide, o defeito diz quem somos, o que devemos ao mundo, o mundo aponta os defeitos e não deixa ao esquecimento. Para qualidades existem prémios. Os defeitos não precisam, desses todos se lembram sem cábula.
Nunca consigo escolher uma estação do ano. Gosto que sejam efémeras, que se vão e que voltem depressa porque já sinto falta e, aí sim, as prefiro mais que tudo.

Saturday, 14 June 2008

outro lado mundo

E se o hoje recuasse uns quantos meses e me surpreendesse com um dia esquecido por aí? Se, um dia de sol, se adivinhasse como o primeiro de tantos outros que já vivi, tantos outros que desperdicei com preguiça e tarefas sem sentido, labirintos de nada em que traço objectivos e procuro a saída com fortuna. É que "labirinto" vem de entranhas, dos intestinos, de nós próprios, portanto, de algo que desconhecemos mas que nos dá forma e metabolismo, contorcido numa cavidade aparentemente simples ao observador mais atento - o abdómen. De facto, se não nos conhecemos ao certo, para quê a aventura por caminhos flamejados com sorte de principiante? Maior do que qualquer dúvida ou dor de cabeça, aliada à incapacidade mirrada de entender o outro, entender aquela acção - nem tanto as palavras - será a eterna busca do que realmente nos vai por dentro.
Dias de folga, porque não? Afinal, está por nossa conta aquilo que queremos receber no fim, a paga divina ou inocente, não cambiável em géneros e afins.
Onde fica o outro lado do mundo? O outro lado do meu mundo és tu. E não é só um dia perdido nos muitos. Mas, como será de esperar, à medida que o meu mundo cresce, vou esquecendo e sendo afastada dessa parte oposta ao lugar onde vivo.

Tuesday, 3 June 2008

downtown

Adorei a fresca realidade de que as cores poderão ser vistas de modo diferente por cada um de nós. Assim, o que poderá contradizer o facto de as pessoas mais cabisbaixas verem as cores mais escuras? Ou que a palete de cores das pessoas com constante brilho interior nao se cinja ao verde amarelo azul e vermelho, bem vivos. E quando aponto para um dálmata, quem me diz que, ao meu lado, não existe alguém que aponta para um cão azul pintalgado de rosa choque?

Thursday, 22 May 2008

drama

Se há pessoas que foram feitas para ajudar, há outras que foram feitas para ser ajudadas. Pobres criaturas essas que fazem a vida de outros parecer recompensadora. De facto, torna-se prático ajudar alguém desamparado, é mais fácil estender a mão quando estamos no cimo do que segurar e empurrar por baixo (com as duas mãos) para fazer subir o muro. Dar um pão a um amigo que acabou por ficar para lanchar, ou dar um pão a um menino desnutrido de África; mesmo gesto mas bem diferente.
Mesmos gestos e bem diferentes. A quantidade de mal-entendidos que haverá neste mundo...

Saturday, 19 April 2008

tecnologias

Os dias passam, passam sempre. Não sei porque continuo aqui, parece que nem a terra gira, nem eu me mexo o suficiente para ser notada alguma diferença. Só o vento faz mover alguma coisa, as árvores, a chuva que cai e dói. Mas, olho para fora e todo o resto permanece tão estático que impressiona. Tudo o que não é natureza acaba por ficar estático, dando um nó na evolução sustentada que nos pressiona e que, no fundo, faz desta vida, a nossa. Condição humana. Destruir o natural e transformá-lo em material, objecto, últil e já virtual. Suprimir necessidades e superá-las para criar novas necessidades e novos meios de as alcançar. Nada faz sentido quando acordo triste e chove. Chove porque nos sentimos tristes, ou esta melancolia de alicerce virá da chuva?
O mais engraçado é que sei que passa (o amanhã ou o logo à noite costumam obrigar-me a isso) e até rio por saber que amanhã vai chover e eu, de facto, vou esperar por esse dia para me sentir melhor. Os prédios não parecerão assim pesados, aliás, os prédios passar-me-ão completamente ao lado! Vou cantar no carro em russian english e com a voz falsete de sempre, vai ser óptima aquela viagem acompanhada da chiadeira dos limpa pára-brisas sem meio termo. É, amanhã, se acordar relativamente cedo, vai ser um dia engraçado.

Tuesday, 1 April 2008

mix

bibliotecas silenciosas, chover sobre a água, a fase sim do chocolate, alfazemas, rir das próprias piadas antes de qualquer pessoa, toquio mental, camisolas muito quentes, sade, dormir na praia debaixo do guarda sol como quando éramos putos, carpintaria, desenhos animados e bd, o som do meu drive, puxadores, abraços de manhã, 2004, o moreirense, a banda sonora de cada amigo, saab, juntar os headphones e colar, uma caneta nova, gf, nadar mergulhados no mar com os olhos fechados e sentir que nada nos prende, domingo igual a sofá e filmes, se você disse que eu desafino amor, lareiras, dias muito cheios, mochila às costas e bambora, um bom livro, uma casa para voltar, eu e files na circunvalação, a quinta estação do japão, pendentes, cadbury's mint crisp, extravasar, a sensação de que nada nos falta, sarava

Monday, 25 February 2008

imaginemos que só há a parte boa e o vazio do resto dos dias

Quando dizer que não? Quando desistir? Como se acredita num não que não se pode ver? Um sim é fácil, está provado (ao contrário da ciência), agora um não... Como é muito menos dito, muito menos ouvido e ainda menos acreditado, dá azo a especulações, sonho. E quanto mais alto se sobe, já sabemos. Agora, subir, é maravilhoso. A estúpida capacidade sobrehumana de filtrar e pôr de lado o indesejado traz uma subida em furacão, alimentada pelas poucas mas boas recordações que diriam sim sim! sim! Resta o vazio que não diz nada, esse que atrapalha todos os planos e que, quando vem o precioso silêncio, não deixa concentrar. Então, após alguns suspiros, recomeça a subida fácil de quem esquece e relembra o que apetece.
Não me apetecia nada parar. Sei que me vais voltar a obrigar a subir, sei que nunca me dirás onde é o topo, sei que vou voltar a cair. É uma questão de probabilidades. Entendo que não imaginas o peso que cresce a cada palavra, não há intenção. Pelo mesmo lado (o único), vejo mais medo do que eu própria conheço, espero que o dia em que dás o salto chegue, porque é obrigatório que chegue, e, enquanto isso, vou adiando o meu salto, esse que não pode ser adiado porque já aconteceu há muito, não contigo. E tudo isto faz-me retroceder e sentir-me uma criança à espera do nada. Não está em mim esperar que aconteça, só que também não está em mim a missão do primeiro passo. Isso não. Essa é uma prova que terás que superar, com ou sem mim. Essa, dou-te de bandeja, para que tires nota máxima e deixes de duvidar de ti mesmo. Assusta-me pensar que não és de 20's. No fundo, sei disso. Mas fascina-me essa bondade, inocência de um homem que quer continuar miúdo, que faz por paixão aquilo em que acredita, sem saber ainda muito bem como o fazer. Fascinas-me porque não me queres fácil e, ainda por cima, não por cliché. Contigo não há mentira, não existem palavras de legenda ou de rodapé, não disfarças, não me dizes nada que soe melhor do que já tenha ouvido, assim como não há nada que tenha mais significado. Vejo como me olhas, como, muito raramente, me apertas.
O que mais me confunde é saber que, na improbabilidade de leres isto, nunca perceberias que é de ti que falo.

Saturday, 23 February 2008

stau

Nem tinha reparado em ti. We're just too busy, always making predictions, never make an exception to the rules. Why do we fight? Faz tudo sentido, de repente. The calling of time. Don't you remind me of someone? Tem até piada. Está tudo mesmo à frente dos nossos olhos, como uma bela banda sonora. You and I, up all night. Why do we fight at all?
Sim, fazes-me lembrar de alguém. De mim própria.
Acreditar que quando se fecha uma janela, abre-se uma porta. Nem é muito difícil, mas não é algo que se possa realmente contabilizar na prática. Pode, assim, qualquer fortúnio com uma pitada de mérito próprio, ganhar estatuto de contrapartida de uma antiga situação injusta que picou o ponto do lado do "mau". E a divisão em parcelas seria também muito complicada... Para simplificar, numa de reter expectativas, espero que se fechem muitas janelas até sequer lembrar de porta. Pelo seguro. Ou então o clássico golpe de karate.

Sunday, 17 February 2008

mariana

Primeira coisa a fazer quando se acorda: tomar banho e vestir, mesmo que não haja planos de saída de casa. Acabo de descobrir que, para mim, é imprescindível. O simples toque do pijama encaminha-me para um mar ainda de sonhos, do qual é tentador não sair. Obviamente, tal como nos sonhos compridos, quando começa a prolongar-se no tempo, acaba por transformar-se em pesadelo. Daí que seja absolutamente necessário tomar banho e vestir.

Impulsos inesperados preenchem alguns espaços vazios, mesmo quando vindos de alguém que nunca ocupará esse espaço. Mas acabam sempre por ficar, para mais tarde recordar, num dia de frio interior ou de fervilhar de emoções, de tal modo que perdemos a cabeça e nos lembramos de dar o real significado às coisas, no momento exacto em que precisamos. E, no reverso da medalha, afinal aquele beijo na testa poderá ter sido mais importante do que tinha parecido.

Não me leve a mal, me leve apenas a andar por aí...

Monday, 7 January 2008

dois mil e oito

Tentarei inventar-me neste fim de mundo que é a vida. Sim, vou esforçar-me por isso e consegui-lo.
1. Vou ajudar o próximo porque está em mim e não porque penso ser o correcto. Claro que é por satisfação pessoal, mas daí a esse prazer provir da notícia de que ajudei, ou de ter escrito na agenda que o iria fazer, ou mesmo para me sentir melhor comigo mesma pelo copo estar meio vazio... Não. Vou ajudar porque sinto e ponto. Quando não sentir, aí faço o esforço.
2. O pressentimento de 2008 realmente bateu forte. Não sei nem quero saber porquê, até porque pressentimentos são mesmo assim, infundados. Será, obviamente, uma grande banhada se, daqui a um mês, uma desgraça acontecer. Mas sinto que não. Poderá ser do desejo e vontade para que realmente se realize tudo pelo melhor, mas serão sempre pensamentos causais de ambição e desespero. Neste momento não.
3. Tolerância: face um mau exemplo há duas atitudes a tomar. Ou o seguimos por raiva sem maturidade, ou o superamos tentando nunca ser como x. Então, tolerar, será aquilo que de mais precioso me poderão dar este ano. Mãe, obrigada. Saber como reagir e como ser positivo quando é necessário, ganhar "calo" a situações constrangedoras ou de impaciência, ser amigo num dia não. Sorrir e aprender a lição que chega em tom monocórdico e demasiado lenta, mas que, nem por isso é má, pelo contrário, se ao menos prestássemos atenção... Sempre sem ser lorpa.
4. Parar e pensar. Esclarecer antes de agir. Pôr tudo em pratos limpos. Vejo-me como uma tempestade, uma trovoada ao longe, ao estilo de guerra dos deuses. O que parece megalómano, mas é mau e provoca destruição. Então, por favor, esforça-te (eu). Saber o que quero, quem quero, quando, porquê, onde e como. Não será muito difícil porque os outros conseguem, embora, cada vez mais, me pareça que os outros se assemelham bastante e mim e, por isso, sejamos todos semi-adultos que se aproximam, cada vez mais também, à insegura imagem dos pais que afinal não são perfeitos.
A verdade é que tenho-me deixado andar e vejo-me a mudar sem mudar de discurso. Ou seja, parece que alguns princípios vão mudando, reajo de modo diferente em algumas situações, vou por caminhos e tentativas que, no fundo, ainda não estão bem escritas em mim. Daí que seja tudo uma grande baralhada e, no fim das contas, não saiba muito bem onde enquadrar a mistura. O ir pela emoção ou pelo momento, sem saber muito bem porquê ou, então, a saber o porquê que antes não servia. Tenho de parar para pensar.
O anseio pela novidade e a certeza de que, neste momento, nada me prende, trazem a tentação de fazer tudo aquilo que não fiz e, por isso, fazê-lo sem saber como reagir às consequências, garantindo que nunca serão graves, por jogo aberto e falta de compromisso. Pode parecer exagerado, dramático ou até algo que não é. Mas é assim na minha cabeça. Não ando para aí a realizar os meus desejos mais profundos, até porque não serão assim tão obscuros e nem passam pelo sado masoquismo.
Sinto falta de algo que me transcenda, de um marco a seguir por amor. Que me faça acordar sem ameaçar o despertador e adormecer com sono. Sinto mesmo falta disso tudo e, porra, sinto falta porque já o tive. Parece maldição. Supostamente, "quando menos esperares" a vida dá voltas que não se imaginam e o coração passa mesmo a ter razões que a própria razão desconhece. Mas QUANDO? Não posso dizer que não procure, porque já tentei procurar, deixei de procurar, voltei, deixei, deixei, até que deixei mesmo e fiquei à espera. Não há pior do que esperar. Então mudei e comecei a abrir janelas, dar-me a conhecer mais, sair mais, alinhar mais, o necessário Típico. E vai resultando. O tempo passa a voar, faço tudo o que faria e mais alguma coisa, não sobra muito espaço para pensamentos de linha condutora porque as situações, num mesmo dia, são demasiado diversas. Mas divirto-me e ganho tanto com os meus que me sinto preenchida.
Ao mesmo tempo a confusão de quem vai experimentando a receita até chegar às doses certas. Devagarinho, sem deixar queimar ou saber mal. Porque essa parte está bem definida. Mas acabam por surgir mini dúvidas de vários ângulos e feitios. Coisas que desconheço e algum desinteresse por outras que reconheço, mas com as quais não quero lidar por não me sentir preparada, nem existir um impulso em mim que me faça arriscar, apostar e fazer planos a longo prazo.
No entanto há muita coisa boa para estes dias. Em alturas de reflexão é bom ter rasgos de riso e loucura pelo bom que se fez, pelos elogios, pelo que recebo e dou sem haver contas ao meio. Faz-me querer mais. Apenas o pensamento inseguro da dúvida entre o crescer e a felicidade dos ignorantes. Esse prende-me.
(5.6.7.8.)
Teria mais uns dois mil e tantos mas para isso ficam conversas de praia, de meia noite, de noite, de frio, da hora certa no sítio certo, de desespero, de salvação, de chacha, de carro, e nunca de telefone.
Benvindo.

Wednesday, 19 December 2007

as pessoas

Chateia-me começar com "é incrível", mas tenta-me esse começo de frase, exactamente por ser algo que me vale a pena. Então...
É incrível como os dias correm e como cada pessoa faz por monitorizar a velocidade do comboio. In-crível. Quantas vezes por semana se pensa no "parece que foi ontem...", quantas vezes nos espantamos pela novidade alheia que nos surje pronta (e, ao desconhecido processo de construção, fica a dúvida do trabalho que deu, o que lhe acrescenta uns ?? de admiração), quantas vezes afinal o miúdo já tem dez e não cinco anos, quantas vezes tu próprio não olhas para o espelho e pensas "já?". É, a vida corre(-nos?). Admiro quem lhe passa a perna e anda mais depressa um bocadinho, o suficiente para não pensar nisso e estar em constante construção de sociedade, daquela em que não sobra tempo para mais e amanhã já tenho coisas marcadas.
E eu, que marco tudo em cima do joelho, sinto-me ridícula nestas alturas.

Thursday, 29 November 2007

aprende: o melhor da vida são as coisas simples

Lavei a cara, tirei o vestido e pensei na vida. Não, não tenho o que desejo, sei que nunca o terei na totalidade porque, no fundo, não se trata de um objectivo a alcançar, mas sim um objectivo a possuir. Há alturas em que nem sei que nome lhe dar, mas sinto-o a pairar sobre a a rua que percorro, devagar, para tentar perceber. Às vezes sei que não há qualquer tipo de visão ao estilo de aura luminosa, mas acabo por afastar o vazio com a desculpa de que são pensamentos a mais, então sufocam-me e deixam-me tonta, por isso afasto-os. Para um dia, quando já tiver esquecido cada um deles, voltar a tentar lembrar-me de tantos que eram, e assim encontrar um novo objectivo - o de lembrar. Penso que o objectivo último ou, pelo menos, aquele que me superará, será o de ter filhos. Filhos iguais a mim (para já são mesmo só iguais a mim), o meu grande projecto a longo prazo.
Não é de assustar. Toda a mulher com curvas já magicou um bocadinho acerca de uma pequena criatura à sua imagem e semelhança. Até alguns homens, sei. Não quer dizer que se anseie ou pense nisso com o desespero de quem não pode faltar à reunião. Não. Mas, salvo raras excepções, a polaroid imediata da visão do futuro tem, pelo menos, mais duas pessoas. E, na minha, um jardim.
É por isso que, todos os dias, tento plantar uma flor. Quando não consigo e, principalmente, quando é por preguiça mental, há o efeito geada e perco alguns dias de árduo trabalho. Mas as linhas ficam, as cores já estão imaginadas, os canteiros programados, e o mar ao fundo. O cheiro subtil a alfazema, óbvio, à mistura de tulipas brancas. Sempre achei perfeito um ramo de tulipas brancas e alfazemas. Lembra-me da tara antiga da minha mãe por flores amarelas.
Solto o cabelo, já sem nada. São passos simples que nos fazem.