Que dia triste. Uma estrada de cinza vazia de tudo e de todos. Sinto que não tenho conteúdo, no entanto, é esse mesmo que me derruba, faz de mim coluna oca que se sustenta por obra e graça de algo num patamar acima e abaixo desta, completamente indiferentes e alheios e, porém, numa dependência sem agradecimento. É ingrato, de facto.
Irónico este meu modo de existência por picos, tem até um quê de cómico, para quem os conhece. Acredito que alguém a quem esta insconstância apanhe de surpresa, tenha uma súbita necessidade de fugir a sete pés, talvez até correr um bocadinho, quem sabe. Há dias e dias, compreendo perfeitamente. Eu cá só me lembro de existirem DIAS e dias.
Fico danada por não conseguir mostrar o que quero, quando quero. No fundo está cá tudo. Parece que prego partidas a mim própria e - dependendo do grau de à vontade, derivado de uma data de contextos, estados de espírito e conhecimento dos sujeitos em causa, vezes O DIA - adquiro aquilo que sai no momento. Pior, por mais que o tempo passe, as minha tentativas de contornar a situação falham constantemente e, o castigo por tentar, parece ser um aumento exponencial desta dádiva! Obrigadinha.
Monday, 15 September 2008
Monday, 8 September 2008
para todos os gostos
Prefiro essa metamorfose, não suficientemente forte para me arrancar desta cidade. Efeito sismo que abala e, sobre os escombros, a vontade que tudo volte a ser como antes, antes da ideia de que a realidade poderia muito bem mudar para melhor. Empenho-me para aquilo que sei conseguir alcançar. Grande idiota, não aprendeste nada na escola? Mas é verdade, conheço algumas das minha limitações mas habituei-me, desde sempre, a não perder muito tempo em dissecá-las, não por preguiça, sim por saber que o que vem é negro, não por desinteresse, sim por conforto, talvez insegurança. Defeitos.
Às vezes prefiro a qualidade ao defeito. Embora a qualidade intimide, o defeito diz quem somos, o que devemos ao mundo, o mundo aponta os defeitos e não deixa ao esquecimento. Para qualidades existem prémios. Os defeitos não precisam, desses todos se lembram sem cábula.
Nunca consigo escolher uma estação do ano. Gosto que sejam efémeras, que se vão e que voltem depressa porque já sinto falta e, aí sim, as prefiro mais que tudo.
Às vezes prefiro a qualidade ao defeito. Embora a qualidade intimide, o defeito diz quem somos, o que devemos ao mundo, o mundo aponta os defeitos e não deixa ao esquecimento. Para qualidades existem prémios. Os defeitos não precisam, desses todos se lembram sem cábula.
Nunca consigo escolher uma estação do ano. Gosto que sejam efémeras, que se vão e que voltem depressa porque já sinto falta e, aí sim, as prefiro mais que tudo.
Saturday, 14 June 2008
outro lado mundo
E se o hoje recuasse uns quantos meses e me surpreendesse com um dia esquecido por aí? Se, um dia de sol, se adivinhasse como o primeiro de tantos outros que já vivi, tantos outros que desperdicei com preguiça e tarefas sem sentido, labirintos de nada em que traço objectivos e procuro a saída com fortuna. É que "labirinto" vem de entranhas, dos intestinos, de nós próprios, portanto, de algo que desconhecemos mas que nos dá forma e metabolismo, contorcido numa cavidade aparentemente simples ao observador mais atento - o abdómen. De facto, se não nos conhecemos ao certo, para quê a aventura por caminhos flamejados com sorte de principiante? Maior do que qualquer dúvida ou dor de cabeça, aliada à incapacidade mirrada de entender o outro, entender aquela acção - nem tanto as palavras - será a eterna busca do que realmente nos vai por dentro.
Dias de folga, porque não? Afinal, está por nossa conta aquilo que queremos receber no fim, a paga divina ou inocente, não cambiável em géneros e afins.
Onde fica o outro lado do mundo? O outro lado do meu mundo és tu. E não é só um dia perdido nos muitos. Mas, como será de esperar, à medida que o meu mundo cresce, vou esquecendo e sendo afastada dessa parte oposta ao lugar onde vivo.
Dias de folga, porque não? Afinal, está por nossa conta aquilo que queremos receber no fim, a paga divina ou inocente, não cambiável em géneros e afins.
Onde fica o outro lado do mundo? O outro lado do meu mundo és tu. E não é só um dia perdido nos muitos. Mas, como será de esperar, à medida que o meu mundo cresce, vou esquecendo e sendo afastada dessa parte oposta ao lugar onde vivo.
Tuesday, 3 June 2008
downtown
Adorei a fresca realidade de que as cores poderão ser vistas de modo diferente por cada um de nós. Assim, o que poderá contradizer o facto de as pessoas mais cabisbaixas verem as cores mais escuras? Ou que a palete de cores das pessoas com constante brilho interior nao se cinja ao verde amarelo azul e vermelho, bem vivos. E quando aponto para um dálmata, quem me diz que, ao meu lado, não existe alguém que aponta para um cão azul pintalgado de rosa choque?
Thursday, 22 May 2008
drama
Se há pessoas que foram feitas para ajudar, há outras que foram feitas para ser ajudadas. Pobres criaturas essas que fazem a vida de outros parecer recompensadora. De facto, torna-se prático ajudar alguém desamparado, é mais fácil estender a mão quando estamos no cimo do que segurar e empurrar por baixo (com as duas mãos) para fazer subir o muro. Dar um pão a um amigo que acabou por ficar para lanchar, ou dar um pão a um menino desnutrido de África; mesmo gesto mas bem diferente.
Mesmos gestos e bem diferentes. A quantidade de mal-entendidos que haverá neste mundo...
Mesmos gestos e bem diferentes. A quantidade de mal-entendidos que haverá neste mundo...
Saturday, 19 April 2008
tecnologias
Os dias passam, passam sempre. Não sei porque continuo aqui, parece que nem a terra gira, nem eu me mexo o suficiente para ser notada alguma diferença. Só o vento faz mover alguma coisa, as árvores, a chuva que cai e dói. Mas, olho para fora e todo o resto permanece tão estático que impressiona. Tudo o que não é natureza acaba por ficar estático, dando um nó na evolução sustentada que nos pressiona e que, no fundo, faz desta vida, a nossa. Condição humana. Destruir o natural e transformá-lo em material, objecto, últil e já virtual. Suprimir necessidades e superá-las para criar novas necessidades e novos meios de as alcançar. Nada faz sentido quando acordo triste e chove. Chove porque nos sentimos tristes, ou esta melancolia de alicerce virá da chuva?
O mais engraçado é que sei que passa (o amanhã ou o logo à noite costumam obrigar-me a isso) e até rio por saber que amanhã vai chover e eu, de facto, vou esperar por esse dia para me sentir melhor. Os prédios não parecerão assim pesados, aliás, os prédios passar-me-ão completamente ao lado! Vou cantar no carro em russian english e com a voz falsete de sempre, vai ser óptima aquela viagem acompanhada da chiadeira dos limpa pára-brisas sem meio termo. É, amanhã, se acordar relativamente cedo, vai ser um dia engraçado.
O mais engraçado é que sei que passa (o amanhã ou o logo à noite costumam obrigar-me a isso) e até rio por saber que amanhã vai chover e eu, de facto, vou esperar por esse dia para me sentir melhor. Os prédios não parecerão assim pesados, aliás, os prédios passar-me-ão completamente ao lado! Vou cantar no carro em russian english e com a voz falsete de sempre, vai ser óptima aquela viagem acompanhada da chiadeira dos limpa pára-brisas sem meio termo. É, amanhã, se acordar relativamente cedo, vai ser um dia engraçado.
Tuesday, 1 April 2008
mix
bibliotecas silenciosas, chover sobre a água, a fase sim do chocolate, alfazemas, rir das próprias piadas antes de qualquer pessoa, toquio mental, camisolas muito quentes, sade, dormir na praia debaixo do guarda sol como quando éramos putos, carpintaria, desenhos animados e bd, o som do meu drive, puxadores, abraços de manhã, 2004, o moreirense, a banda sonora de cada amigo, saab, juntar os headphones e colar, uma caneta nova, gf, nadar mergulhados no mar com os olhos fechados e sentir que nada nos prende, domingo igual a sofá e filmes, se você disse que eu desafino amor, lareiras, dias muito cheios, mochila às costas e bambora, um bom livro, uma casa para voltar, eu e files na circunvalação, a quinta estação do japão, pendentes, cadbury's mint crisp, extravasar, a sensação de que nada nos falta, sarava
Monday, 25 February 2008
imaginemos que só há a parte boa e o vazio do resto dos dias
Quando dizer que não? Quando desistir? Como se acredita num não que não se pode ver? Um sim é fácil, está provado (ao contrário da ciência), agora um não... Como é muito menos dito, muito menos ouvido e ainda menos acreditado, dá azo a especulações, sonho. E quanto mais alto se sobe, já sabemos. Agora, subir, é maravilhoso. A estúpida capacidade sobrehumana de filtrar e pôr de lado o indesejado traz uma subida em furacão, alimentada pelas poucas mas boas recordações que diriam sim sim! sim! Resta o vazio que não diz nada, esse que atrapalha todos os planos e que, quando vem o precioso silêncio, não deixa concentrar. Então, após alguns suspiros, recomeça a subida fácil de quem esquece e relembra o que apetece.
Não me apetecia nada parar. Sei que me vais voltar a obrigar a subir, sei que nunca me dirás onde é o topo, sei que vou voltar a cair. É uma questão de probabilidades. Entendo que não imaginas o peso que cresce a cada palavra, não há intenção. Pelo mesmo lado (o único), vejo mais medo do que eu própria conheço, espero que o dia em que dás o salto chegue, porque é obrigatório que chegue, e, enquanto isso, vou adiando o meu salto, esse que não pode ser adiado porque já aconteceu há muito, não contigo. E tudo isto faz-me retroceder e sentir-me uma criança à espera do nada. Não está em mim esperar que aconteça, só que também não está em mim a missão do primeiro passo. Isso não. Essa é uma prova que terás que superar, com ou sem mim. Essa, dou-te de bandeja, para que tires nota máxima e deixes de duvidar de ti mesmo. Assusta-me pensar que não és de 20's. No fundo, sei disso. Mas fascina-me essa bondade, inocência de um homem que quer continuar miúdo, que faz por paixão aquilo em que acredita, sem saber ainda muito bem como o fazer. Fascinas-me porque não me queres fácil e, ainda por cima, não por cliché. Contigo não há mentira, não existem palavras de legenda ou de rodapé, não disfarças, não me dizes nada que soe melhor do que já tenha ouvido, assim como não há nada que tenha mais significado. Vejo como me olhas, como, muito raramente, me apertas.
O que mais me confunde é saber que, na improbabilidade de leres isto, nunca perceberias que é de ti que falo.
Não me apetecia nada parar. Sei que me vais voltar a obrigar a subir, sei que nunca me dirás onde é o topo, sei que vou voltar a cair. É uma questão de probabilidades. Entendo que não imaginas o peso que cresce a cada palavra, não há intenção. Pelo mesmo lado (o único), vejo mais medo do que eu própria conheço, espero que o dia em que dás o salto chegue, porque é obrigatório que chegue, e, enquanto isso, vou adiando o meu salto, esse que não pode ser adiado porque já aconteceu há muito, não contigo. E tudo isto faz-me retroceder e sentir-me uma criança à espera do nada. Não está em mim esperar que aconteça, só que também não está em mim a missão do primeiro passo. Isso não. Essa é uma prova que terás que superar, com ou sem mim. Essa, dou-te de bandeja, para que tires nota máxima e deixes de duvidar de ti mesmo. Assusta-me pensar que não és de 20's. No fundo, sei disso. Mas fascina-me essa bondade, inocência de um homem que quer continuar miúdo, que faz por paixão aquilo em que acredita, sem saber ainda muito bem como o fazer. Fascinas-me porque não me queres fácil e, ainda por cima, não por cliché. Contigo não há mentira, não existem palavras de legenda ou de rodapé, não disfarças, não me dizes nada que soe melhor do que já tenha ouvido, assim como não há nada que tenha mais significado. Vejo como me olhas, como, muito raramente, me apertas.
O que mais me confunde é saber que, na improbabilidade de leres isto, nunca perceberias que é de ti que falo.
Saturday, 23 February 2008
stau
Nem tinha reparado em ti. We're just too busy, always making predictions, never make an exception to the rules. Why do we fight? Faz tudo sentido, de repente. The calling of time. Don't you remind me of someone? Tem até piada. Está tudo mesmo à frente dos nossos olhos, como uma bela banda sonora. You and I, up all night. Why do we fight at all?
Sim, fazes-me lembrar de alguém. De mim própria.
Acreditar que quando se fecha uma janela, abre-se uma porta. Nem é muito difícil, mas não é algo que se possa realmente contabilizar na prática. Pode, assim, qualquer fortúnio com uma pitada de mérito próprio, ganhar estatuto de contrapartida de uma antiga situação injusta que picou o ponto do lado do "mau". E a divisão em parcelas seria também muito complicada... Para simplificar, numa de reter expectativas, espero que se fechem muitas janelas até sequer lembrar de porta. Pelo seguro. Ou então o clássico golpe de karate.
Sim, fazes-me lembrar de alguém. De mim própria.
Acreditar que quando se fecha uma janela, abre-se uma porta. Nem é muito difícil, mas não é algo que se possa realmente contabilizar na prática. Pode, assim, qualquer fortúnio com uma pitada de mérito próprio, ganhar estatuto de contrapartida de uma antiga situação injusta que picou o ponto do lado do "mau". E a divisão em parcelas seria também muito complicada... Para simplificar, numa de reter expectativas, espero que se fechem muitas janelas até sequer lembrar de porta. Pelo seguro. Ou então o clássico golpe de karate.
Sunday, 17 February 2008
mariana
Primeira coisa a fazer quando se acorda: tomar banho e vestir, mesmo que não haja planos de saída de casa. Acabo de descobrir que, para mim, é imprescindível. O simples toque do pijama encaminha-me para um mar ainda de sonhos, do qual é tentador não sair. Obviamente, tal como nos sonhos compridos, quando começa a prolongar-se no tempo, acaba por transformar-se em pesadelo. Daí que seja absolutamente necessário tomar banho e vestir.
Impulsos inesperados preenchem alguns espaços vazios, mesmo quando vindos de alguém que nunca ocupará esse espaço. Mas acabam sempre por ficar, para mais tarde recordar, num dia de frio interior ou de fervilhar de emoções, de tal modo que perdemos a cabeça e nos lembramos de dar o real significado às coisas, no momento exacto em que precisamos. E, no reverso da medalha, afinal aquele beijo na testa poderá ter sido mais importante do que tinha parecido.
Não me leve a mal, me leve apenas a andar por aí...
Impulsos inesperados preenchem alguns espaços vazios, mesmo quando vindos de alguém que nunca ocupará esse espaço. Mas acabam sempre por ficar, para mais tarde recordar, num dia de frio interior ou de fervilhar de emoções, de tal modo que perdemos a cabeça e nos lembramos de dar o real significado às coisas, no momento exacto em que precisamos. E, no reverso da medalha, afinal aquele beijo na testa poderá ter sido mais importante do que tinha parecido.
Não me leve a mal, me leve apenas a andar por aí...
Monday, 7 January 2008
dois mil e oito
Tentarei inventar-me neste fim de mundo que é a vida. Sim, vou esforçar-me por isso e consegui-lo.
1. Vou ajudar o próximo porque está em mim e não porque penso ser o correcto. Claro que é por satisfação pessoal, mas daí a esse prazer provir da notícia de que ajudei, ou de ter escrito na agenda que o iria fazer, ou mesmo para me sentir melhor comigo mesma pelo copo estar meio vazio... Não. Vou ajudar porque sinto e ponto. Quando não sentir, aí faço o esforço.
2. O pressentimento de 2008 realmente bateu forte. Não sei nem quero saber porquê, até porque pressentimentos são mesmo assim, infundados. Será, obviamente, uma grande banhada se, daqui a um mês, uma desgraça acontecer. Mas sinto que não. Poderá ser do desejo e vontade para que realmente se realize tudo pelo melhor, mas serão sempre pensamentos causais de ambição e desespero. Neste momento não.
3. Tolerância: face um mau exemplo há duas atitudes a tomar. Ou o seguimos por raiva sem maturidade, ou o superamos tentando nunca ser como x. Então, tolerar, será aquilo que de mais precioso me poderão dar este ano. Mãe, obrigada. Saber como reagir e como ser positivo quando é necessário, ganhar "calo" a situações constrangedoras ou de impaciência, ser amigo num dia não. Sorrir e aprender a lição que chega em tom monocórdico e demasiado lenta, mas que, nem por isso é má, pelo contrário, se ao menos prestássemos atenção... Sempre sem ser lorpa.
4. Parar e pensar. Esclarecer antes de agir. Pôr tudo em pratos limpos. Vejo-me como uma tempestade, uma trovoada ao longe, ao estilo de guerra dos deuses. O que parece megalómano, mas é mau e provoca destruição. Então, por favor, esforça-te (eu). Saber o que quero, quem quero, quando, porquê, onde e como. Não será muito difícil porque os outros conseguem, embora, cada vez mais, me pareça que os outros se assemelham bastante e mim e, por isso, sejamos todos semi-adultos que se aproximam, cada vez mais também, à insegura imagem dos pais que afinal não são perfeitos.
A verdade é que tenho-me deixado andar e vejo-me a mudar sem mudar de discurso. Ou seja, parece que alguns princípios vão mudando, reajo de modo diferente em algumas situações, vou por caminhos e tentativas que, no fundo, ainda não estão bem escritas em mim. Daí que seja tudo uma grande baralhada e, no fim das contas, não saiba muito bem onde enquadrar a mistura. O ir pela emoção ou pelo momento, sem saber muito bem porquê ou, então, a saber o porquê que antes não servia. Tenho de parar para pensar.
O anseio pela novidade e a certeza de que, neste momento, nada me prende, trazem a tentação de fazer tudo aquilo que não fiz e, por isso, fazê-lo sem saber como reagir às consequências, garantindo que nunca serão graves, por jogo aberto e falta de compromisso. Pode parecer exagerado, dramático ou até algo que não é. Mas é assim na minha cabeça. Não ando para aí a realizar os meus desejos mais profundos, até porque não serão assim tão obscuros e nem passam pelo sado masoquismo.
Sinto falta de algo que me transcenda, de um marco a seguir por amor. Que me faça acordar sem ameaçar o despertador e adormecer com sono. Sinto mesmo falta disso tudo e, porra, sinto falta porque já o tive. Parece maldição. Supostamente, "quando menos esperares" a vida dá voltas que não se imaginam e o coração passa mesmo a ter razões que a própria razão desconhece. Mas QUANDO? Não posso dizer que não procure, porque já tentei procurar, deixei de procurar, voltei, deixei, deixei, até que deixei mesmo e fiquei à espera. Não há pior do que esperar. Então mudei e comecei a abrir janelas, dar-me a conhecer mais, sair mais, alinhar mais, o necessário Típico. E vai resultando. O tempo passa a voar, faço tudo o que faria e mais alguma coisa, não sobra muito espaço para pensamentos de linha condutora porque as situações, num mesmo dia, são demasiado diversas. Mas divirto-me e ganho tanto com os meus que me sinto preenchida.
Ao mesmo tempo a confusão de quem vai experimentando a receita até chegar às doses certas. Devagarinho, sem deixar queimar ou saber mal. Porque essa parte está bem definida. Mas acabam por surgir mini dúvidas de vários ângulos e feitios. Coisas que desconheço e algum desinteresse por outras que reconheço, mas com as quais não quero lidar por não me sentir preparada, nem existir um impulso em mim que me faça arriscar, apostar e fazer planos a longo prazo.
No entanto há muita coisa boa para estes dias. Em alturas de reflexão é bom ter rasgos de riso e loucura pelo bom que se fez, pelos elogios, pelo que recebo e dou sem haver contas ao meio. Faz-me querer mais. Apenas o pensamento inseguro da dúvida entre o crescer e a felicidade dos ignorantes. Esse prende-me.
(5.6.7.8.)
Teria mais uns dois mil e tantos mas para isso ficam conversas de praia, de meia noite, de noite, de frio, da hora certa no sítio certo, de desespero, de salvação, de chacha, de carro, e nunca de telefone.
Benvindo.
1. Vou ajudar o próximo porque está em mim e não porque penso ser o correcto. Claro que é por satisfação pessoal, mas daí a esse prazer provir da notícia de que ajudei, ou de ter escrito na agenda que o iria fazer, ou mesmo para me sentir melhor comigo mesma pelo copo estar meio vazio... Não. Vou ajudar porque sinto e ponto. Quando não sentir, aí faço o esforço.
2. O pressentimento de 2008 realmente bateu forte. Não sei nem quero saber porquê, até porque pressentimentos são mesmo assim, infundados. Será, obviamente, uma grande banhada se, daqui a um mês, uma desgraça acontecer. Mas sinto que não. Poderá ser do desejo e vontade para que realmente se realize tudo pelo melhor, mas serão sempre pensamentos causais de ambição e desespero. Neste momento não.
3. Tolerância: face um mau exemplo há duas atitudes a tomar. Ou o seguimos por raiva sem maturidade, ou o superamos tentando nunca ser como x. Então, tolerar, será aquilo que de mais precioso me poderão dar este ano. Mãe, obrigada. Saber como reagir e como ser positivo quando é necessário, ganhar "calo" a situações constrangedoras ou de impaciência, ser amigo num dia não. Sorrir e aprender a lição que chega em tom monocórdico e demasiado lenta, mas que, nem por isso é má, pelo contrário, se ao menos prestássemos atenção... Sempre sem ser lorpa.
4. Parar e pensar. Esclarecer antes de agir. Pôr tudo em pratos limpos. Vejo-me como uma tempestade, uma trovoada ao longe, ao estilo de guerra dos deuses. O que parece megalómano, mas é mau e provoca destruição. Então, por favor, esforça-te (eu). Saber o que quero, quem quero, quando, porquê, onde e como. Não será muito difícil porque os outros conseguem, embora, cada vez mais, me pareça que os outros se assemelham bastante e mim e, por isso, sejamos todos semi-adultos que se aproximam, cada vez mais também, à insegura imagem dos pais que afinal não são perfeitos.
A verdade é que tenho-me deixado andar e vejo-me a mudar sem mudar de discurso. Ou seja, parece que alguns princípios vão mudando, reajo de modo diferente em algumas situações, vou por caminhos e tentativas que, no fundo, ainda não estão bem escritas em mim. Daí que seja tudo uma grande baralhada e, no fim das contas, não saiba muito bem onde enquadrar a mistura. O ir pela emoção ou pelo momento, sem saber muito bem porquê ou, então, a saber o porquê que antes não servia. Tenho de parar para pensar.
O anseio pela novidade e a certeza de que, neste momento, nada me prende, trazem a tentação de fazer tudo aquilo que não fiz e, por isso, fazê-lo sem saber como reagir às consequências, garantindo que nunca serão graves, por jogo aberto e falta de compromisso. Pode parecer exagerado, dramático ou até algo que não é. Mas é assim na minha cabeça. Não ando para aí a realizar os meus desejos mais profundos, até porque não serão assim tão obscuros e nem passam pelo sado masoquismo.
Sinto falta de algo que me transcenda, de um marco a seguir por amor. Que me faça acordar sem ameaçar o despertador e adormecer com sono. Sinto mesmo falta disso tudo e, porra, sinto falta porque já o tive. Parece maldição. Supostamente, "quando menos esperares" a vida dá voltas que não se imaginam e o coração passa mesmo a ter razões que a própria razão desconhece. Mas QUANDO? Não posso dizer que não procure, porque já tentei procurar, deixei de procurar, voltei, deixei, deixei, até que deixei mesmo e fiquei à espera. Não há pior do que esperar. Então mudei e comecei a abrir janelas, dar-me a conhecer mais, sair mais, alinhar mais, o necessário Típico. E vai resultando. O tempo passa a voar, faço tudo o que faria e mais alguma coisa, não sobra muito espaço para pensamentos de linha condutora porque as situações, num mesmo dia, são demasiado diversas. Mas divirto-me e ganho tanto com os meus que me sinto preenchida.
Ao mesmo tempo a confusão de quem vai experimentando a receita até chegar às doses certas. Devagarinho, sem deixar queimar ou saber mal. Porque essa parte está bem definida. Mas acabam por surgir mini dúvidas de vários ângulos e feitios. Coisas que desconheço e algum desinteresse por outras que reconheço, mas com as quais não quero lidar por não me sentir preparada, nem existir um impulso em mim que me faça arriscar, apostar e fazer planos a longo prazo.
No entanto há muita coisa boa para estes dias. Em alturas de reflexão é bom ter rasgos de riso e loucura pelo bom que se fez, pelos elogios, pelo que recebo e dou sem haver contas ao meio. Faz-me querer mais. Apenas o pensamento inseguro da dúvida entre o crescer e a felicidade dos ignorantes. Esse prende-me.
(5.6.7.8.)
Teria mais uns dois mil e tantos mas para isso ficam conversas de praia, de meia noite, de noite, de frio, da hora certa no sítio certo, de desespero, de salvação, de chacha, de carro, e nunca de telefone.
Benvindo.
Wednesday, 19 December 2007
as pessoas
Chateia-me começar com "é incrível", mas tenta-me esse começo de frase, exactamente por ser algo que me vale a pena. Então...
É incrível como os dias correm e como cada pessoa faz por monitorizar a velocidade do comboio. In-crível. Quantas vezes por semana se pensa no "parece que foi ontem...", quantas vezes nos espantamos pela novidade alheia que nos surje pronta (e, ao desconhecido processo de construção, fica a dúvida do trabalho que deu, o que lhe acrescenta uns ?? de admiração), quantas vezes afinal o miúdo já tem dez e não cinco anos, quantas vezes tu próprio não olhas para o espelho e pensas "já?". É, a vida corre(-nos?). Admiro quem lhe passa a perna e anda mais depressa um bocadinho, o suficiente para não pensar nisso e estar em constante construção de sociedade, daquela em que não sobra tempo para mais e amanhã já tenho coisas marcadas.
E eu, que marco tudo em cima do joelho, sinto-me ridícula nestas alturas.
É incrível como os dias correm e como cada pessoa faz por monitorizar a velocidade do comboio. In-crível. Quantas vezes por semana se pensa no "parece que foi ontem...", quantas vezes nos espantamos pela novidade alheia que nos surje pronta (e, ao desconhecido processo de construção, fica a dúvida do trabalho que deu, o que lhe acrescenta uns ?? de admiração), quantas vezes afinal o miúdo já tem dez e não cinco anos, quantas vezes tu próprio não olhas para o espelho e pensas "já?". É, a vida corre(-nos?). Admiro quem lhe passa a perna e anda mais depressa um bocadinho, o suficiente para não pensar nisso e estar em constante construção de sociedade, daquela em que não sobra tempo para mais e amanhã já tenho coisas marcadas.
E eu, que marco tudo em cima do joelho, sinto-me ridícula nestas alturas.
Thursday, 29 November 2007
aprende: o melhor da vida são as coisas simples
Lavei a cara, tirei o vestido e pensei na vida. Não, não tenho o que desejo, sei que nunca o terei na totalidade porque, no fundo, não se trata de um objectivo a alcançar, mas sim um objectivo a possuir. Há alturas em que nem sei que nome lhe dar, mas sinto-o a pairar sobre a a rua que percorro, devagar, para tentar perceber. Às vezes sei que não há qualquer tipo de visão ao estilo de aura luminosa, mas acabo por afastar o vazio com a desculpa de que são pensamentos a mais, então sufocam-me e deixam-me tonta, por isso afasto-os. Para um dia, quando já tiver esquecido cada um deles, voltar a tentar lembrar-me de tantos que eram, e assim encontrar um novo objectivo - o de lembrar. Penso que o objectivo último ou, pelo menos, aquele que me superará, será o de ter filhos. Filhos iguais a mim (para já são mesmo só iguais a mim), o meu grande projecto a longo prazo.
Não é de assustar. Toda a mulher com curvas já magicou um bocadinho acerca de uma pequena criatura à sua imagem e semelhança. Até alguns homens, sei. Não quer dizer que se anseie ou pense nisso com o desespero de quem não pode faltar à reunião. Não. Mas, salvo raras excepções, a polaroid imediata da visão do futuro tem, pelo menos, mais duas pessoas. E, na minha, um jardim.
É por isso que, todos os dias, tento plantar uma flor. Quando não consigo e, principalmente, quando é por preguiça mental, há o efeito geada e perco alguns dias de árduo trabalho. Mas as linhas ficam, as cores já estão imaginadas, os canteiros programados, e o mar ao fundo. O cheiro subtil a alfazema, óbvio, à mistura de tulipas brancas. Sempre achei perfeito um ramo de tulipas brancas e alfazemas. Lembra-me da tara antiga da minha mãe por flores amarelas.
Solto o cabelo, já sem nada. São passos simples que nos fazem.
Não é de assustar. Toda a mulher com curvas já magicou um bocadinho acerca de uma pequena criatura à sua imagem e semelhança. Até alguns homens, sei. Não quer dizer que se anseie ou pense nisso com o desespero de quem não pode faltar à reunião. Não. Mas, salvo raras excepções, a polaroid imediata da visão do futuro tem, pelo menos, mais duas pessoas. E, na minha, um jardim.
É por isso que, todos os dias, tento plantar uma flor. Quando não consigo e, principalmente, quando é por preguiça mental, há o efeito geada e perco alguns dias de árduo trabalho. Mas as linhas ficam, as cores já estão imaginadas, os canteiros programados, e o mar ao fundo. O cheiro subtil a alfazema, óbvio, à mistura de tulipas brancas. Sempre achei perfeito um ramo de tulipas brancas e alfazemas. Lembra-me da tara antiga da minha mãe por flores amarelas.
Solto o cabelo, já sem nada. São passos simples que nos fazem.
Tuesday, 27 November 2007
enough is enough?
Não será nunca despropositado ou alarmante dizer-se que não se está satisfeito. Não, não chega. Não, não gostei. E principalmente sim, a culpa é tua.
Mas claro que a culpa não será tua. Aliás, a culpa será sempre, primariamente, minha, por te ter deixado falhar ou, por outro lado, por ter esperado que saltasses por cima dela e me escondesses do mau que tem culpa. Só o bem, que nunca cai do céu, mas que não se questiona.
Agora o que me intriga mesmo é a capacidade de um dia acordar e ser tudo óptimo, positivo, com boas perspectivas. E, talvez até nessa mesma tarde, o céu fechar e desatarmos aos pontapés às pedras do chão. Que direito tem a palpitação de balançar assim conosco? E de desbalançar? A questão é: como manter um estado de espírito por vontade própria?
Mas claro que a culpa não será tua. Aliás, a culpa será sempre, primariamente, minha, por te ter deixado falhar ou, por outro lado, por ter esperado que saltasses por cima dela e me escondesses do mau que tem culpa. Só o bem, que nunca cai do céu, mas que não se questiona.
Agora o que me intriga mesmo é a capacidade de um dia acordar e ser tudo óptimo, positivo, com boas perspectivas. E, talvez até nessa mesma tarde, o céu fechar e desatarmos aos pontapés às pedras do chão. Que direito tem a palpitação de balançar assim conosco? E de desbalançar? A questão é: como manter um estado de espírito por vontade própria?
winning a battle, losing the war
Even though I'll never need her .JPG)
even though she's only giving me pain
I'll be on my knees to feed her
spend a day to make her smile again
Even though I'll never need her
even though she's only giving me pain
As the world is soft around her
leaving me with nothing to disdain
Even though I'm not her minder
even though she doesn't want me around
I am on my feet to find her
to make sure that she is safe and sound
Even though I'm not her minder
even though she doesn't want me around
I am on my feet to find her
to make sure that she is safe from harm
The sun sets on the war.JPG)
.JPG)
the day breaks and everything is new...
everything is new
even though she's only giving me pain
I'll be on my knees to feed her
spend a day to make her smile again
Even though I'll never need her
even though she's only giving me pain
As the world is soft around her
leaving me with nothing to disdain
Even though I'm not her minder
even though she doesn't want me around
I am on my feet to find her
to make sure that she is safe and sound
Even though I'm not her minder
even though she doesn't want me around
I am on my feet to find her
to make sure that she is safe from harm
The sun sets on the war
the day breaks and everything is new...
everything is new
Sunday, 28 October 2007
olha
Olha para mim e diz-me o que vês
Olha para mim e diz-me se me vês
Vês-me?
Que altura do dia me pinta
Que estação do ano, estado de espírito
Qual o melhor ângulo
De qual não se vê que acabei de acordar
De costas não sou eu, nunca vi
De frente, não é o que parece
Não sei porque não está a chover hoje, devia. Tem tudo para chover este dia.
Olha para mim e diz-me se me vês
Vês-me?
Que altura do dia me pinta
Que estação do ano, estado de espírito
Qual o melhor ângulo
De qual não se vê que acabei de acordar
De costas não sou eu, nunca vi
De frente, não é o que parece
Não sei porque não está a chover hoje, devia. Tem tudo para chover este dia.
Tuesday, 23 October 2007
nenhum
O mais absurdo é que, se por rápida decisão de lâmpada de génio, me pusessem a hipótese de voltar atrás, não hesitava. Voltava a viver tudo do mesmo modo, se fosse essa a condição e, talvez, se a condição não existisse, por medo de ser pior. Medo, sempre o medo. Sinto, apesar de tudo, que o disfarço bem, talvez por o vento me bater de frente,
Incrível como o toque saudosista de mim própria me leva, inevitavelmente, sempre aos mesmos momentos, à dúvida - quase certeza de que não se repetirá e que, talvez, tenha tido a minha dose. Por distracção vou colhendo pequenas gramas sem cola, amasso-as e tento formar quatro paredes. Projecto-as, sei exactamente como ficarão após a reforma, sei que será simples como um quadrado sem tecto, para deixar ver as estrelas e girar a luz do sol. O equilíbrio, o horário desejado (que finalmente cumpro), a paz. Quero encontrá-la outra vez e procuro-te sem querer. Eu. não. quero. Tenho a certeza, daí estas linhas ridículas que me contradizem sem me explicarem porquê.
Foi tanta tanta tanta coisa que se passou, que me atropelou nos últimos tempos, tanto que ninguém vê e que é só para mim, tanto que não posso falar por não fazer o mínimo sentido partilhá-lo, dúvidas, memórias, a vida, a morte, a morte, nunca eu, nunca quero ser eu e acabo por sê-lo sempre. Concluo que vivo dos outros, vivo daquilo que dou e só sou feliz se, primeiro, der mais do que recebo e, segundo, der a imagem que gostava que todos transparecessem (espécie de lição), mesmo dentro das suas mil paredes de granito. No fundo, sinto que sou aquilo que penso que O Outro ficou a sentir que eu era. Parece extremamente despersonalizado, mas não estou aqui para inventar ninguém. É assim comigo, é assim contigo? E assim passa o tempo, passam as memórias, esqueço um pouco e volto a mim, hoje e aqui, devastada por estar exactamente no mesmo ponto.
Se berrarmos e ninguém ouvir. Conta?
Sempre achei que sim, mas hoje não. Hoje não conta a tenho a imagem da garrafa de vidro com rolha de cortiça, do desespero de alguém que está lá dentro e bate com as mãos no vidro incessantemente, mesmo sabendo que não há resposta, não vai haver nunca. Então, se não conta, mais valia nunca ter acontecido... Hoje sim.
Como é, então, possível, desejar algo que não sinto? (voltei) Já não vivo do passado, já curei todos os defeitos, já cresci aquele centímetro que me distancia dessa cruz no chão que julgava ser de giz. Agora, sim, cheguei ao ponto que aspirava; digo e repito a mesma história, sem alterações, por ser verdadeira. É real, esforcei-me anormalmente para consegui-lo e tu, à tua maneira imbecil, ajudaste-me. Agora que consegui (...), o que faço? É como se andasse à volta do xis no chão, a dançar, a correr, afasto-me e volto, sempre a rir, mas o perímetro mantém-se e já não existe nada para corrigir. Não há mobília, só eu e a cruz, e talvez quatro paredes.
Já não faz sentido sequer, já somos demasiado diferentes. Revolta-me a característica da dor, de se ir apagando em pixels, parece que troça de mim e aponta para as entrelinhas que só a emoção vê nos momentos mais feios, em contraste com os momentos bons de mais, que ficam.
A bateria do ipod acabou. So am I.
Incrível como o toque saudosista de mim própria me leva, inevitavelmente, sempre aos mesmos momentos, à dúvida - quase certeza de que não se repetirá e que, talvez, tenha tido a minha dose. Por distracção vou colhendo pequenas gramas sem cola, amasso-as e tento formar quatro paredes. Projecto-as, sei exactamente como ficarão após a reforma, sei que será simples como um quadrado sem tecto, para deixar ver as estrelas e girar a luz do sol. O equilíbrio, o horário desejado (que finalmente cumpro), a paz. Quero encontrá-la outra vez e procuro-te sem querer. Eu. não. quero. Tenho a certeza, daí estas linhas ridículas que me contradizem sem me explicarem porquê.
Foi tanta tanta tanta coisa que se passou, que me atropelou nos últimos tempos, tanto que ninguém vê e que é só para mim, tanto que não posso falar por não fazer o mínimo sentido partilhá-lo, dúvidas, memórias, a vida, a morte, a morte, nunca eu, nunca quero ser eu e acabo por sê-lo sempre. Concluo que vivo dos outros, vivo daquilo que dou e só sou feliz se, primeiro, der mais do que recebo e, segundo, der a imagem que gostava que todos transparecessem (espécie de lição), mesmo dentro das suas mil paredes de granito. No fundo, sinto que sou aquilo que penso que O Outro ficou a sentir que eu era. Parece extremamente despersonalizado, mas não estou aqui para inventar ninguém. É assim comigo, é assim contigo? E assim passa o tempo, passam as memórias, esqueço um pouco e volto a mim, hoje e aqui, devastada por estar exactamente no mesmo ponto.
Se berrarmos e ninguém ouvir. Conta?
Sempre achei que sim, mas hoje não. Hoje não conta a tenho a imagem da garrafa de vidro com rolha de cortiça, do desespero de alguém que está lá dentro e bate com as mãos no vidro incessantemente, mesmo sabendo que não há resposta, não vai haver nunca. Então, se não conta, mais valia nunca ter acontecido... Hoje sim.
Como é, então, possível, desejar algo que não sinto? (voltei) Já não vivo do passado, já curei todos os defeitos, já cresci aquele centímetro que me distancia dessa cruz no chão que julgava ser de giz. Agora, sim, cheguei ao ponto que aspirava; digo e repito a mesma história, sem alterações, por ser verdadeira. É real, esforcei-me anormalmente para consegui-lo e tu, à tua maneira imbecil, ajudaste-me. Agora que consegui (...), o que faço? É como se andasse à volta do xis no chão, a dançar, a correr, afasto-me e volto, sempre a rir, mas o perímetro mantém-se e já não existe nada para corrigir. Não há mobília, só eu e a cruz, e talvez quatro paredes.
Já não faz sentido sequer, já somos demasiado diferentes. Revolta-me a característica da dor, de se ir apagando em pixels, parece que troça de mim e aponta para as entrelinhas que só a emoção vê nos momentos mais feios, em contraste com os momentos bons de mais, que ficam.
A bateria do ipod acabou. So am I.
Tuesday, 11 September 2007
why do we fight?
Incrível como, para além da insistente jukebox que parece estar sempre dentro de mim, sinto como se tivesse colunas de estúdio no subconsciente. Ouço perfeitamente a música que me vem neste momento, como se Ela estivesse aqui mesmo ao lado a olhar para mim. "Always...": que grande sonoro. Estupidamente deixo-me levar pelo momento e dou por mim a cantar - rapidamente a gaja aqui do lado desaparece e fico eu.
Não consigo numerar as vezes por dia em que me vêm músicas à cabeça só por ouvir uma palavra ou uma frase, nos momentos mais inoportunos. Segue-se aquela luta constante para afastar a melodia e prestar atenção ao que dizem.
Não consigo numerar as vezes por dia em que me vêm músicas à cabeça só por ouvir uma palavra ou uma frase, nos momentos mais inoportunos. Segue-se aquela luta constante para afastar a melodia e prestar atenção ao que dizem.
Saturday, 1 September 2007
26% de mim
Apetece-me falar mas não me apetece dizer nada, absolutamente. Há alturas em que não se deve dizer nada. É melhor e nunca será forçado. Existe aquele amigo em que a confiança é tal que somos capazes de ligar sem pensar antes no que se vai dizer, sujeitarmo-nos à introspecção silenciosa de minutos, e correr tudo bem. Para quê falar quando não há nada a dizer? Temos que ter sempre assunto? Temos que ter tempo para os assuntos se formarem. Ou então, a preocupação de viver no limite da novidade e de superar expectativas é tanta, que acabamos por passar para a vida dupla de quem conta.
a) viver intensamente porque a vida é curta, exceder o momento
b) viver com calma e conscientemente, prever
Sinceramente, prefiro b. Não afasto o a, é demasiado tentador. Mas persegue-me a necessidade de dar O valor às coisas, aos momentos, transformá-los em raciocínio válido e não obra de outrem. Se tiver sorte por mero acaso, sinto-me bem, obviamente, mas se trabalhar muito para atingir o sucesso, sinto-me ainda melhor. (Acredito, quase ironicamente, na recompensa divina. Verifica-se.)
Se todos os dias forem cheios de inesperado e de novidade, sem escolha por não ser oportunista, não tenho tempo para digerir esse assunto e acabo por atingir o limite da camada casca de ovo, reservada às coisas fúteis, que nos cobre a todos. Se, por outro lado, for cultivando ideias e concretizando-as, parece que passa para o interior, que me coze um bocadinho e tranquiliza. Se calhar vem do medo de me perder, da independência que construo e do terror de olhar para dentro e não me encontrar.
É tarde e estive como quis, só agora reparei nisso.
a) viver intensamente porque a vida é curta, exceder o momento
b) viver com calma e conscientemente, prever
Sinceramente, prefiro b. Não afasto o a, é demasiado tentador. Mas persegue-me a necessidade de dar O valor às coisas, aos momentos, transformá-los em raciocínio válido e não obra de outrem. Se tiver sorte por mero acaso, sinto-me bem, obviamente, mas se trabalhar muito para atingir o sucesso, sinto-me ainda melhor. (Acredito, quase ironicamente, na recompensa divina. Verifica-se.)
Se todos os dias forem cheios de inesperado e de novidade, sem escolha por não ser oportunista, não tenho tempo para digerir esse assunto e acabo por atingir o limite da camada casca de ovo, reservada às coisas fúteis, que nos cobre a todos. Se, por outro lado, for cultivando ideias e concretizando-as, parece que passa para o interior, que me coze um bocadinho e tranquiliza. Se calhar vem do medo de me perder, da independência que construo e do terror de olhar para dentro e não me encontrar.
É tarde e estive como quis, só agora reparei nisso.
Saturday, 11 August 2007
queria tanto
Sobra tanto espaço que é nele que me resguardo, adquiri essa incrível capacidade de camuflar momentaneamente e, talvez acumular, para depois, sozinha, percorrer esse longo caminho de memórias encruzilhadas. Existem poucas pessoas especiais na minha vida, algumas mas poucas. E especial não é simpático, não é, muitas vezes, aquele que aparece mais nas fotografias pelo sorriso pronto a disparar e sentido de oportunidade. Considero-me uma pessoa com má memória, mas vou puxando e vem-me com uma facilidade estranha um entrançado de meus e tus para escalar.
Antes da tristeza vem sempre a felicidade, é aí que me apoio. Já há algum tempo desisti de ir pelo caminho do transcendente, porque não tem volta e porque tenho medo de me perder e ficar sozinha. São tantas as coisas que me prendem a ti, vou bebendo disso até chegar a ressaca. Reparei que, no dia a dia, vinhas facilmente em conversas com amigos, daí que não precise de dar grandes explicações àqueles que querem saber o que sinto e, estupidamente e carinhosamente, quanto sinto. Não há frase gasta que explique aquilo que não quer ser explicado e, principalmente, aquilo que ninguém entenderá e que rapidamente te traduziria num trocar de olhares. Descansa-me ter a certeza que tu o sabias e, mais ainda, por duas ou três palavras, nos momentos certos, só para termos a certeza e viver disso mais uns meses.
O que me faz confusão não é o agora. O paratrás descansa-me, alimenta-me. O paraafrente está confuso, não consigo apagar. O tudo e o nada adquirem contornos diferentes. Não digo "crescer"; chama-se necessidade. Muda como uma roda gigante. Sempre que pára num tema crítico vejo-me a repensar com uma calma que me assusta por não saber quando me vou fartar dela e desatar a correr até não poder mais, até cansar a alma, até não existir mais nenhum vestígio de mim e adormecer do cansaço sem sonhos. No fundo espero que isso aconteça. Tenho, cada vez mais, momentos só meus, momentos em que não interessa o que os bons dizem, nem mesmo o que eu digo.
Não me reconheço nesta calma, é estranho ser para sempre. Demora muito. Habituei-me ao limite temporal do faz e acontece, ao frenesim da recente possibilidade de estar em 5 minutos e falar em 5 segundos, de resolver sem resolver qualquer deserpero vão, tantas vezes fútil.
Pode parecer absurdo mas páro e sinto-me feliz, tive tanta sorte. Guardo-te para sempre e sou, eu parte, por ti.
"i close my eyes, but i don't close my heart..."
Antes da tristeza vem sempre a felicidade, é aí que me apoio. Já há algum tempo desisti de ir pelo caminho do transcendente, porque não tem volta e porque tenho medo de me perder e ficar sozinha. São tantas as coisas que me prendem a ti, vou bebendo disso até chegar a ressaca. Reparei que, no dia a dia, vinhas facilmente em conversas com amigos, daí que não precise de dar grandes explicações àqueles que querem saber o que sinto e, estupidamente e carinhosamente, quanto sinto. Não há frase gasta que explique aquilo que não quer ser explicado e, principalmente, aquilo que ninguém entenderá e que rapidamente te traduziria num trocar de olhares. Descansa-me ter a certeza que tu o sabias e, mais ainda, por duas ou três palavras, nos momentos certos, só para termos a certeza e viver disso mais uns meses.
O que me faz confusão não é o agora. O paratrás descansa-me, alimenta-me. O paraafrente está confuso, não consigo apagar. O tudo e o nada adquirem contornos diferentes. Não digo "crescer"; chama-se necessidade. Muda como uma roda gigante. Sempre que pára num tema crítico vejo-me a repensar com uma calma que me assusta por não saber quando me vou fartar dela e desatar a correr até não poder mais, até cansar a alma, até não existir mais nenhum vestígio de mim e adormecer do cansaço sem sonhos. No fundo espero que isso aconteça. Tenho, cada vez mais, momentos só meus, momentos em que não interessa o que os bons dizem, nem mesmo o que eu digo.
Não me reconheço nesta calma, é estranho ser para sempre. Demora muito. Habituei-me ao limite temporal do faz e acontece, ao frenesim da recente possibilidade de estar em 5 minutos e falar em 5 segundos, de resolver sem resolver qualquer deserpero vão, tantas vezes fútil.
Pode parecer absurdo mas páro e sinto-me feliz, tive tanta sorte. Guardo-te para sempre e sou, eu parte, por ti.
"i close my eyes, but i don't close my heart..."
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